Poder e Governo
Vorcaro presta depoimento à PF em inquérito que investiga grupo 'A Turma', que intimidava pessoas vistas como adversárias
A Polícia Federal ouve na tarde desta quarta-feira o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, e o pai dele, Henrique Vorcaro. Os depoimentos serão realizados por videoconferência. Vorcaro está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como “Papudinha”, em Brasília, e Henrique está preso em Minas Gerais.
A PF intimou Daniel e Henrique Vorcaro a prestarem depoimento no inquérito que apura a atuação dos grupos “A Turma” e “Os Meninos”. Segundo as investigações, os dois grupos funcionavam como uma espécie de “milícia privada” acionada por Vorcaro para realizar ações de vigilância, coleta de informações em processos sigilosos, invasão de sistemas de informática e intimidação de pessoas contrárias aos interesses do banqueiro.
Vorcaro seria ouvido na semana passada, mas o depoimento foi adiado após um pedido da defesa de Daniel Vorcaro. Os advogados alegaram que ainda não tinham tido acesso à cópia atualizada da investigação e pediram mais prazo para analisar o material.
A defesa afirmou que Vorcaro tinha “total interesse” em prestar depoimento e que o pedido de adiamento não tinha como objetivo impedir a oitiva, mas garantir acesso prévio aos elementos já produzidos na investigação.
Segundo as investigações, o pai de Vorcaro era o operador financeiro do grupo A" Turma", que era comandado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de Sicário. Ele também foi preso por ordem de Mendonça e tentou se matar na carceragem da PF, em Minas Gerais. Dias depois, ele morreu no hospital em decorrência do ato.
A investigação da Polícia Federal também identificou um núcleo chamado “Os Meninos”, que seria o braço tecnológico do grupo, suspeitos de praticar condutas de intimidação, de coerção, de obtenção de informações sigilosas e de invasões a dispositivos informáticos. O grupo atuava de forma complementar ao intitulado "A Turma", que seria voltado à prática de ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais.
Já “Os Meninos” teria perfil eminentemente tecnológico e seria responsável por ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico e telemático ilegal. Segundo apuração, os hackers contratados recebiam R$ 75 mil por mês para promover ataques e invasões cibernéticas.
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