Poder e Governo

Mensagens no celular de lobista amiga de Lulinha mencionam presentes a assessor do governo

Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência informou que Berger "nega categoricamente ter recebido os presentes citados ou qualquer outro tipo de vantagem indevida" de Roberta Luchsinger.

Agência O Globo - 25/09/2026
Mensagens no celular de lobista amiga de Lulinha mencionam presentes a assessor do governo
Roberta Luchsinger

Conversas extraídas pela Polícia Federal no celular da lobista Roberta Luchsinger, amiga do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mencionam presentes que supostamente foram entregues por ela a assessores do governo, enquanto ele defendia o interesse de empresas que tentavam fechar negócios com o poder público. Luchsinger e Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, são investigados sob suspeita de tráfico de influência.

Nas mensagens, a lobista cita uma pintura de R$ 82,9 mil e um relógio de R$ 66 mil que, segundo ela, eram para o ex-número 2 do Ministério da Saúde, Swenderberger Barbosa, conhecido como Berger. Atualmente, ele atua como chefe de gabinete adjunto da Presidência. Os diálogos foram revelados pelo site Metrópoles e confirmados pelo GLOBO.

Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) informou que Berger "nega categoricamente ter recebido os presentes citados ou qualquer outro tipo de vantagem indevida da empresária Roberta Luchsinger". "Destaca, ainda, que não foi celebrado nenhum contrato pelo Ministério da Saúde decorrente das referidas propostas", diz. Também procurados, as defesas da lobista e de Lulinha não quiseram se manifestar. Em ocasiões anteriores, eles negaram irregularidades na atuação dos dois.

À época das conversas, Luchsinger tentava viabilizar um contrato de uma empresa de produtos à base de cannabis medicinal no Ministério da Saúde. A empresária recebeu R$ 1,5 milhão para atuar no lobby do medicamento junto à pasta. O negócio, contudo, não prosperou.

Em uma das mensagens extraídas do celular da lobista, ela recebe uma foto de Berger de um quadro com três emojis e uma mensagem que foi apagada. Luchsinger, então, responde: "Uma lembrança nossa pra vcs".

Em outra conversa, Luchsinger mostra fotos a um amigo de um relógio da marca Cartier Tank, que custou R$ 66 mil, segundo ela. Em outro diálogo, ela diz que está "levando um mimo" para Berger e comenta: "Chic o relógio né".

Berger também aparece em mensagem agradecendo Luchsinger por uma festa de aniversário que ocorreu durante um show em um camarote no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. "Bom dia amiga. Agradeço demais toda a consideração e amizade. A festa que você e demais amigos me dedicaram estava linda, impecável, desculpa a bagunça e o excesso de algumas pessoas que não conseguimos conter. Um ótimo domingo", escreveu ele.

Além das mensagens que citam presentes a Berger, a lobista também fez pagamentos para o ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que somam R$ 217 mil. Ele admitiu ter recebido os repasses da empresária e disse que eram referentes a um empréstimo pessoal e que devolveu os valores.

Mensagens apreendidas pela PF também mostram que ela determinou a um funcionário que fizesse depósitos nas contas de dois servidores do Ministério do Desenvolvimento Social.

Após os pagamentos, no fim de 2023, a empresa 3Structure IT firmou um contrato de R$ 31,2 milhões com o ministério, após vencer um pregão. Em abril deste ano, a companhia também firmou outro contrato, de R$ 19,2 milhões, com vigência até abril de 2031.

Procurado, o ministério disse rechaçar "a tese de que tenha havido qualquer tipo de favorecimento na licitação de serviços de backup de tecnologia, que foi realizada por meio de pregão eletrônico - modalidade em que vence a empresa que apresentar o menor preço durante disputa feita com absoluta transparência". A pasta afirmou ainda que, em relação aos servidores, "nenhum deles tem competência sobre essa área, logo não houve qualquer participação no processo licitatório em questão".