Poder e Governo

Lobista amiga de Lulinha faz depósitos em contas de servidores do governo

Defesa de Roberta Luchsinger disse que não comentaria; advogado do filho do presidente afirmou desconhecer pagamentos.

Agência O Globo - 23/09/2026
Lobista amiga de Lulinha faz depósitos em contas de servidores do governo
Lula e Lobista

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mostram que ela determinou a um funcionário que fizesse depósitos que somavam R$ 60 mil nas contas de dois funcionários do Ministério do Desenvolvimento Social, comandado pelo ministro Wellington Dias. Luchsinger é apontada nas investigações como lobista e, ao lado de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é alvo de inquéritos sob suspeita de tráfico de influência.

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Procurado, o ministério não se manifestou. Em nota, a defesa de Lulinha afirma que ele "desconhece a natureza dos supostos pagamentos e não possui relação alguma com nenhuma irregularidade". "Ele não pode se responsabilizar por pagamentos de terceiros", afirmou o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa o filho do presidente. A defesa de Luchsinger, por sua vez, disse que não comentaria "vazamentos ilegais e sem comprovação nas vésperas de uma eleição".

Segundo a investigação, nos diálogos, Luchsinger enviou mensagem a um funcionário, Ulisses Barbosa, pedindo que fosse ao seu quarto e buscasse uma sacola com dinheiro. "Vc pega 60 mil por favor para fazer uns pagamentos pra mim ta".

De acordo com a investigação da PF, após fazer os depósitos, Barbosa encaminhou os comprovantes para Luchsinger. As transferências foram realizadas em 2023.

Os pagamentos identificados na investigação, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), tinham como destinatário o secretário-executivo adjunto da pasta, Ranniêr Costa Ciríaco, e o coordenador do cerimonial do ministério, José Martinho Ferreira de Araújo. As informações foram reveladas pelo jornal O Estado de S.Paulo e confirmadas pelo GLOBO.

Outra beneficiária é uma mulher com quem José Martinho tem uma filha. Na investigação, a PF destaca que ele já foi preso em 2014 pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) transportando R$ 180 mil. Reportagem do Jornal Nacional na época informa que ele havia saído de Brasília, onde trabalhava como motorista para Wellington Dias, então senador, com destino ao Piauí. Na ocasião, o senador disse que não tinha qualquer relação com o fato.

Após os pagamentos, no fim de 2023, a empresa 3Structure IT, que tem o empresário Cleber Ribas de Oliveira como sócio, firmou um contrato de R$ 31,2 milhões com o ministério, após vencer um pregão. Em abril deste ano, a empresa também firmou outro contrato, de R$ 19,2 milhões, com vigência até abril de 2031.

A atuação de Luchsinger na intermediação de contratos da 3Structure IT com o governo é uma das frentes investigadas pela PF.

Em um dos inquéritos abertos no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, a PF apura se o filho do presidente atuou em negócios relacionados à Dataprev, empresa pública responsável pela base de dados do INSS, para beneficiar o empresário e prospectar contratos. Segundo a investigação, Oliveira teria pagado ao menos uma viagem de Lulinha.

Esses não foram os únicos pagamentos feitos por Luchsinger a integrantes do governo. A l. Ele admitiu ter recebido os repasses da empresária e disse que eram referentes a um empréstimo pessoal e que devolveu os valores.