Poder e Governo
Lula defende 'soberania' e relembra discursos anteriores em postagem horas antes de discurso na Assembleia da ONU
Presidente relembrou passagens pela Assembleia Geral desde 2003; combate à desigualdade, reforma da governança global e defesa do multilateralismo atravessam as falas
Em uma publicação feita nesta terça-feira, horas antes de voltar à tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula relembrou os principais temas de seus discursos na ONU ao longo de mais de duas décadas. O combate à fome e à desigualdade, a defesa do multilateralismo e a cobrança por mais espaço para os países em desenvolvimento aparecem desde as primeiras falas. Nos anos mais recentes, a defesa da soberania brasileira ganhou peso, ao lado de temas como democracia e reforma da governança internacional.
Na estreia, em 2003, Lula chegou à ONU em um mundo ainda sob o impacto da Guerra do Iraque e colocou a fome no centro de sua agenda externa. Também defendeu o fortalecimento das Nações Unidas na resolução de conflitos e uma reforma do Conselho de Segurança, argumento que voltaria a aparecer em outras passagens pela Assembleia Geral.
A pauta social continuou a ocupar espaço nos anos seguintes. Em 2004 e 2005, Lula voltou a tratar da pobreza e da necessidade de ampliar os recursos destinados ao desenvolvimento. A mensagem era de que crescimento econômico e redução das desigualdades deveriam caminhar juntos e de que os países mais pobres precisavam ter maior participação na definição das regras internacionais.
Nos discursos de 2006 e 2007, essa agenda passou a dividir espaço com críticas aos desequilíbrios do comércio mundial e, cada vez mais, com a questão ambiental. Lula associava a construção da paz ao desenvolvimento e defendia mudanças nas instituições multilaterais para refletir melhor o peso dos países emergentes.
A crise financeira internacional mudou o foco em 2008. Da tribuna, Lula cobrou mais controle e transparência sobre o sistema financeiro e sustentou que problemas de alcance mundial exigiam respostas coordenadas entre os países. No ano seguinte, voltou ao tema ao apontar três desafios centrais: a crise econômica, a falta de uma governança global mais estável e a mudança do clima.
Quando retornou à Assembleia Geral em 2023, depois de 14 anos, Lula retomou parte desse repertório. A redução das desigualdades foi apresentada como um dos eixos da política externa brasileira, ao lado da reforma da governança mundial, da proteção ambiental e da busca por soluções negociadas para conflitos. Foi também quando buscou marcar a retomada de uma atuação mais ativa do Brasil nos fóruns multilaterais.
Em 2024, as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio ganharam peso no discurso. Lula defendeu novamente negociações para os conflitos, cobrou mudanças na estrutura das Nações Unidas e voltou a tratar da fome e da emergência climática. A agenda daquele ano incorporou ainda temas que não estavam presentes nas primeiras passagens do presidente pela ONU, como a governança digital e os impactos da inteligência artificial.
Já em 2025, soberania e democracia ganharam maior destaque. Lula afirmou que a soberania brasileira era “inegociável”, relacionou desigualdade e enfraquecimento das democracias e defendeu a regulação das plataformas digitais. O combate à fome, a mudança do clima e a defesa do multilateralismo, porém, permaneceram entre os temas centrais.
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