Poder e Governo
Nada deve ser vitalício: Alckmin defende mandato com prazo definido para ministros do STF
Vice-presidente também afirmou que membros da corte precisam seguir código de conduta
O vice-presidente (PSB) defendeu neste sábado (19) que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham mandato com prazo definido. "Nada deve ser vitalício", afirmou Alckmin em resposta ao g1 durante visita à cidade de Ribeirão Preto (SP).
Durante entrevista coletiva na prefeitura, ele disse: "Eu sempre defendi mandato. Nada deve ser vitalício, alternância saudável. É mandato como a Europa, 10 anos, 12 anos, que seja, no máximo 15, mas isso é ter mandato. Isso é saudável, você está sempre renovando", disse.
Essa não é a primeira vez que Alckmin defendeu mandatos definidos, mas o tema voltou a ganhar força após as revelações de conexões dos ministros do STF com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ainda em maio, Alckmin falou, em entrevista à Globo News, que apoiava criação de mandatos para ministros do STF.
Uma pesquisa realizada pela Quaest, divulgada em 14 de setembro de 2026, revelou que a maioria dos eleitores brasileiros (53%) é favorável ao estabelecimento de um mandato com tempo fixo para os ministros do STF O Globo. De acordo com o levantamento, 30% dos entrevistados se posicionaram contra a medida, enquanto 4% não se mostraram nem a favor nem contra, e 13% não souberam responder.
Juristas têm apontado que, além da discussão sobre mandatos, outras medidas, como a criação de um código de conduta e a limitação de decisões monocráticas, são caminhos necessários para que o STF recupere sua imagem institucional. Neste sábado, Alckmin também defendeu regras de conduta para os ministros. "Precisa ter um código de ética, um código de conduta para que possa estabelecer o que pode, o que não pode."
Ele também apoiou investigações dos ministros, falando que Edson Fachin tomou uma "medida correta" ao derrubar sigilos de investigações. "Nada deve ser escondido, a transparência é essencial na vida pública, essencial. E quanto maior a responsabilidade, maior a autoridade, maior deve ser a sua prestação de contas, não o privilégio", afirmou.
Por fim, ele afirmou que o presidente Lula tem cobrado apuração. "O que o presidente Lula tem pedido? A verdade, a verdade. Investigue-se, independente de quem é."
A crise institucional que atinge o STF tornou-se um dos principais fatores de incerteza para a campanha de reeleição de Lula em 2026. Segundo a pesquisa Datafolha de 18 de setembro, a crise no STF e os desdobramentos do "caso Master" exercerão influência sobre o voto de 47% dos eleitores. O levantamento também revelou que a desconfiança na Corte atingiu níveis recordes: 38% dos eleitores apontam Lula como o candidato mais prejudicado pela crise, enquanto 31% dizem o mesmo sobre seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro.
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