Poder e Governo
Governo quer reforçar mote de cooperação com EUA mesmo com revés de classificação de PCC e CV como terroristas
Avaliação de integrantes da gestão federal é que dificilmente a decisão deverá ser revista no curto prazo
O governo Luiz Inácio da Silva (PT) quer reforçar o mote de cooperação com os Estados Unidos para tentar se contrapor à classificação do governo das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) .
Anunciada no último dia 28, após (PL-RJ) se reunir com Trump e autoridades americanas, a medida passará a valer nesta sexta-feira. A classificação de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) é feita pelo secretário de Estado americano e diz respeito a grupos estrangeiros. A designação torna ilegal para "uma pessoa nos Estados Unidos ou sujeita à jurisdição dos Estados Unidos" fornecer "apoio material ou recursos" à organização.
A avaliação de integrantes do governo federal é . O entendimento é que não há um argumento a ser apresentado aos americanos que os faça recuar das medidas por ora. Mesmo assim, a ordem é insistir no discurso de que o governo brasileiro combate o crime organizado e que está disposto a cooperar com outros países.
Uma estratégia defendida por aliados do presidente é reforçar os acordos de cooperação que tratam do combate ao crime organizado que já foram firmados com o país americano, assim como outras nações para mostrar o compromisso do Brasil nesse tema. Além disso, o governo deverá também reforçar que existe compartilhamento de informações e ações coordenadas entre os países para combater o crime organizado.
Um auxiliar direto de Lula diz que o presidente orientou sua equipe a aperfeiçoar esses canais de cooperação internacional e deixar o tema “na ordem do dia” do governo. Diante disso, o Ministério de Justiça e Segurança Pública vem fazendo levantamentos que deverão ser apresentados ao chefe do Executivo, entre eles um que mostra todo o normativo que existe no país hoje nesse assunto. Ainda não há, por ora, uma data para apresentar esse material.
Um integrante da pasta afirma, sob reserva, que não está descartado propor alterações a esses acertos para aperfeiçoá-los, afirmando ser possível avançar por esse caminho numa tentativa de reforçar o diálogo com o governo americano. Em abril, por exemplo, o ministro Dario Durigan (Fazenda) anunciou que a Receita e o U.S Customs and Border Protection (CBP), agência das fronteiras dos EUA, firmaram um acordo de combate ao crime transnacional.
Além disso, auxiliares de Lula dizem ser preciso esperar de fato a classificação de organizações terroristas entrar em vigor para analisar os próximos passos. Isso porque, argumenta um técnico do Ministério da Justiça, os órgãos americanos têm o que classifica como sobreposição de atribuições.
Esse técnico cita, por exemplo, o fato de o FBI ter um departamento dedicado ao contraterrorismo, apesar de a CIA ser responsável por esse tema. Nesse caso, não estaria claro para o governo brasileiro se com a nova classificação haverá uma mudança do eixo de diálogo com os EUA de um órgão para o outro.
O governo também deverá reforçar discurso que ataca o crime organizado atingindo o chamado “andar de cima”. O próprio Lula tem abordado isso em falas públicas. Recentemente, o petista disse ter discutido que vivem nos Estados Unidos.
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