Poder e Governo
Análise: Lula usa reunião ministerial para alinhar discurso e ações do governo de olho na eleição
Nos cerca de 20 minutos de fala, petista mostrou que planeja capitalizar ações de governo para projeto de buscar quarto mandato
A quatro meses da eleição, o presidente Luiz Inácio da Silva deixou explícito em seu discurso inicial os motivos que o levaram a para esta quarta-feira no Palácio do Planalto. Nos cerca de 20 minutos de fala, o petista mostrou que planeja capitalizar as ações de governo para o seu projeto de buscar um quarto mandato e que o discurso dos subordinados, inclusive nos ataques à família Bolsonaro, precisa estar alinhado.
Lula chegou a admitir na parte final que a reunião era “uma arrumação de discurso para todo mundo”. Antes, no começo, em tom de bronca, afirmou que os ministros não podem inaugurar obras sem passar pela Casa Civil, pasta responsável por coordenar as ações do governo.
— Muitas vezes a gente fica sabendo de ministro que está inaugurando coisas, ou coisas que são inauguradas sem a participação do ministro. E a gente não sabe quem é que está representando o governo federal nas entregas — alertou.
Um dos diagnósticos feito por aliados é que o governo tem dificuldade de capitalizar as suas ações junto à população e, por isso, seria necessário alardear de forma mais forte o que está fazendo.
Essa foi a primeira reunião ministerial depois da saída dos titulares das pastas que vão disputar a eleição de outubro. Houve troca em 18 ministérios e, na maioria dos casos, com ascensão de nomes de menor expressão política e rostos menos conhecidos. Muitos dos antigos secretários executivos foram promovidos.
O presidente ainda completou que “na política, se você não estiver de corpo presente, ninguém de fora vai dizer quem está fazendo” a obra. Também destacou que a lei eleitoral só permite inaugurações até 4 de julho, portanto “temos que fazer todas as entregas ” até lá.
Ao , Lula, mesmo sem citar o senador (PL-RJ) ou o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, Lula deixou claro esperar que os ministros apontem o dedo para os adversários:
— Vocês, ministros, não podem deixar de dizer isso em alto e bom som: Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, com interesses rasteiros, de uma disputa eleitoral.
A reunião de “arrumação de discurso” tinha sido convocada antes das novas medidas dos Estados Unidos contra o Brasil. Mas, diante do anúncio de terça-feira, visto no governo como um presente político, Lula deu a linha do discurso que quer ver martelado contra Flávio Bolsonaro até outubro.
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