Poder e Governo
Em busca de palanque em Minas, Flávio elogia ‘liderança’ de Cleitinho e fecha as portas para aliança com governador
Senador diz confiar "100%" em Cleitinho, diz que ainda não há definição sobre chapa estadual e afirma que grupo de Mateus Simões "praticamente inviabilizou" composição com sua candidatura
Em busca de consolidar um palanque competitivo em Minas Gerais para sua pré-candidatura presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quarta-feira que confia "100%" no senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), classificado como "inegável" a "liderança" do aliado no estado e indicou que uma eventual candidatura do parlamentar ao governo mineiro conta com o aval de seu grupo político.
Em entrevista ao jornal mineiro O Tempo, porém, Flávio admitiu que ainda não há uma definição sobre a composição que apoiará em Minas Gerais e afirmou que o martelo dependerá de uma decisão conjunta das lideranças locais e do aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ao responder sobre o cenário local, o senador fez elogios diretos a Cleitinho, hoje considerado por integrantes do PL como o nome com maior potencial eleitoral para liderar uma chapa alinhada ao bolsonarismo no estado.
— Na política é difícil você estabelecer prazo, as conversas têm que andam naturalmente. Eu gostaria de estar aqui em Minas Gerais com o martelo batido, mas é uma série de fatores que influenciam. É inegável a liderança do Cleitinho, que está comigo lá no Senado há bastante tempo. Acompanhado como ele faz política com o coração, defendendo aquilo que ele acredita de verdade — afirmou.
A declaração foi dada durante uma agenda de três dias no estado, considerada estratégica pela campanha do senador. Além de participar de eventos ligados ao agronegócio, encontros políticos e reuniões reservadas com empresários, Flávio lançou oficialmente sua pré-candidatura presidencial em Minas, estado tratado pelo PL como uma peça-chave para a disputa. O evento também foi usado para o lançamento da pré-candidatura do deputado Domingos Sávio (PL-MG) ao Senado.
Flávio também rebateu críticas recorrentes feitas ao senador dos Republicanos e afirmou que ele reúne as condições permitidas para comandar o Executivo estadual.
— Eu confio 100% no Cleitinho, (sua candidatura) tem solidez. Tentam desqualificá-lo o tempo todo como se fosse uma pessoa que não estaria preparada para assumir o poder Executivo. Eu acho que para carga executiva o Cleitinho reúne todas as qualidades.
Segundo o senador, uma eventual candidatura do aliado ao governo mineiro é vista com naturalidade pelo grupo político.
— Se o nosso grupo entende, e o Cleitinho também entende dessa forma, que é melhor caminhar com ele na cabeça de chapa, a gente vai buscar esse caminho.
Apesar dos elogios, Flávio evitou antecipar uma definição sobre o desenho eleitoral mineiro e diz que espera que a decisão deva ser feita o mais rápido possível a depender do aval de Jair Bolsonaro.
A aproximação entre PL e Republicanos vem sendo construída desde maio. Na ocasião, Flávio, seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), o presidente estadual do PL, Zé Vitor (PL-MG), e o empresário Flávio Roscoe participaram de uma reunião que consolidou a decisão de priorizar uma construção conjunta entre as duas legendas.
Dias depois, dirigentes dos dois partidos voltaram a discutir diferentes cenários para a disputa estadual. Entre eles, uma candidatura de Cleitinho ao governo com apoio do PL ou uma chapa encabeçada por Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), tendo um nome indicado pelos Republicanos na vice.
Ao mesmo tempo em que reforçou os laços com Cleitinho, Flávio deixou claro que não vê espaço para uma composição com o grupo político do atual governador mineiro Mateus Simões (PSD), considerado o sucessor natural do ex-governador Romeu Zema (Novo).
— Com relação ao Mateus, politicamente ele praticamente inviabilizou que alguma parceira com o PL — afirmou, atribuindo a dificuldade ao cenário nacional, uma vez que seu partido tem Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência.
— Ele não é PSD. O PSD tem um candidato à Presidência da República, que é o Caiado. O Matheus Simões é de um grupo político que é do Zema, que também é candidato à Presidência da República.
Apesar do recado ao grupo mineiro, o senador seletivo adotou um tom conciliador ao comentar a relação com Zema, que promoveu duras críticas a Flávio depois do caso “Dark Hore”, e com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Segundo o senador, os três encontros juntos nesta eleição para derrotar Lula (PT).
— O Zema, o Caiado e eu, nós três temos uma grande responsabilidade de estarmos unidos contra o PT.
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