Poder e Governo

De bananada a arma de fogo: Michelle é autora de mais de 70 pedidos de registro de marcas com o nome Bolsonaro

Em março, PL Mulher afirmou que pedidos foram feitos para impedir que nomes sejam usados 'para venda de produtos que não condizem com os valores e princípios defendidos' pelo casal

Agência O Globo - 03/06/2026
De bananada a arma de fogo: Michelle é autora de mais de 70 pedidos de registro de marcas com o nome Bolsonaro
Michelle Bolsonaro - Foto: Reprodução / Instagram

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é autora de 75 pedidos de registro de marca que levam ou fazem referência ao sobrenome do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo mostra a base de dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Na lista, estão variações e versões abreviadas do nome da família.

Leia mais:

Política:

Os pedidos abrangem uma gama ampla de produtos, que incluem cosméticos, café, coleiras, alimentos para animais, bananada, facas, bolsas de couro, instrumentos musicais, bebidas alcóolicas, armas de fogo. Além de "Jair Bolsonaro" e "Michelle Bolsonaro", consta na base de dados do Inpi pedidos para produtos batizados de "Bolsonaro", "Bolsomito" e "Bolsonaro Mito".

A maioria dos pedidos feitos por Michelle data de 2024. Desde então, alguns já foram confirmados e outros seguem em andamento. Em 2026, a ex-primeira-dama obteve a titularidade de marcas como "Jair Bolsonaro" para perfumes e "Michelle Bolsonaro" para artigos de joalheria.

Nem sempre, no entanto, a ex-primeira-dama tem sucesso. No dia 2 de junho, o Inpi indeferiu um pedido de registro para itens como bolsas de couro. Na justificativa, consta que ela "não exerce atividade lícita e efetiva compatível com os produtos/serviços reivindicados". Em relação ao pedido de registro da marca "Bolsomito" para produtos descritos como "armas de fogo; explosivos; fogos de artifício; munições", ela enfrenta problema similar. O órgão solicitou que a ex-primeira-dama comprove atuação na exploração comercial desse tipo de produto, regulado por norma especial e que depende de autorização do Comando do Exército.

O registro de uma marca não significa que o autor tem interesse imediato na exploração comercial do produto. A busca pela titularidade de uma marca no Inpi pode fazer parte de uma estratégia de proteção dos donos. Em nota divulgada em março, o PL Mulher afirmou que pedidos foram feitos para "impedir que o nome de Michelle ou de Jair Bolsonaro sejam utilizados para venda de produtos que não condizem com os valores e princípios defendidos por ambos".

O nome da família é explorado na . Naquele ano, o maquiador Agustin Fernandez, amigo de Michelle, colocou a venda em seu site um perfume batizado com o nome do ex-presidente. No momento, o produto consta como esgotado. Em 2024, Eduardo Bolsonaro passou a ser titular da marca de vinhos "Bolsonaro 'Il Mito'", que já havia sido registrada por empresários. Em maio, o irmão do ex-presidente, Renato Bolsonaro, que é pré-candidato a deputado federal por São Paulo, registrou a marca "Clube Bolsonaro" para itens de vestuário.