Poder e Governo

Sem Pacheco, PT se divide entre candidato próprio e aliança com partidos de centro em Minas

Setores que prevalecem no diretório estadual preferem um nome da sigla, mas pré-candidata ao Senado tenta aproximação entre o comando nacional e Gabriel Azevedo, do MDB

Agência O Globo - 03/06/2026
Sem Pacheco, PT se divide entre candidato próprio e aliança com partidos de centro em Minas
Rodrigo Pacheco - Foto: Reprodução / Agência Senado

Depois da desistência definitiva do senador Rodrigo Pacheco (PSB), e diante da intransigência de Alexandre Kalil (PDT), o PT inaugurou uma nova fase das conversas por um palanque para o presidente Lula em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. Cresceu entre dirigentes mineiros a tese de candidatura própria, mas, em paralelo, a pré-candidata ao Senado Marília Campos trabalha por uma composição com o MDB, cujo nome para o governo é o ex-vereador Gabriel Azevedo.

Entenda:

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O presidente nacional do PT, Edinho Silva, esteve em Minas no último fim de semana. Uma das reuniões que teve foi com Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte, que não demonstrou interesse em ser o candidato de Lula no estado. Ele havia despontado como opção depois que Pacheco, o preferido do presidente da República para a empreitada desde o ano passado, confirmou que não quer concorrer.

Hoje, duas hipóteses são faladas. A primeira, de continuar procurando uma aliança com nomes de centro, não é majoritária no diretório estadual, mas tem sido defendida por Marília Campos, ex-prefeita de Contagem, que teme ser convocada para disputar o governo caso o partido opte por candidatura própria. Antes defensora de Pacheco e de Kalil, ela busca agora aproximar Gabriel Azevedo do partido.

Ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, o emedebista terá uma conversa nos próximos dias com Edinho Silva. O problema, segundo petistas, é a resistência que ele enfrenta no braço mineiro da sigla, dado o histórico de oposição ao partido.

Aliados de Azevedo também avaliam se vale a pena se associar ao PT agora — o que lhe daria chances mais concretas de avançar para o segundo turno — ou se é melhor “perder ganhando” e se preparar para a eleição municipal de 2028 na capital mineira. O então vereador teve 10,5% na disputa de 2024, o que o deixou na quarta colocação.

Outros dois nomes, ambos do PSB, são citados dentro da hipótese de apoiar alguém de fora do PT: o ex-presidente da Fiesp Josué Gomes e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares.

Quadros mais influentes na direção estadual e com representação no diretório nacional, no entanto, têm defendido candidatura própria. Além de Marília, são mencionados como possibilidades o deputado federal Reginaldo Lopes e a ex-reitora da UFMG Sandra Goulart. No caso dela, pesa a favor o fato de não precisar abrir mão de eleições para o Legislativo, fator que faz Lopes e Marília não gostarem da ideia de encabeçar a chapa para o governo.

— Defendo candidatura própria, mas, a priori, quero terminar o processo de aprovação do fim da escala 6x1, proposta da qual fui autor. Depois penso nisso — diz Lopes.

Qualquer candidato do PT teria que lidar o tempo todo com a associação ao governo Fernando Pimentel, muito mal avaliado e que não conseguiu sequer chegar ao segundo turno em 2018. Considerada ruim até por petistas, a gestão virou o principal alvo de ataques do ex-governador Romeu Zema (Novo), hoje presidenciável, por causa do cenário crítico da economia do estado. É até hoje um problema para o partido em Minas.

O cenário mineiro é um dos mais indefinidos entre os principais estados. O PL, do presidenciável Flávio Bolsonaro, também não bateu o martelo sobre ter candidato próprio ou apoiar alguém de outra legenda. Os atritos recentes entre ele e Zema, motivados pelas revelações do caso Master envolvendo o senador, dificultaram uma aliança em torno do governador Mateus Simões (PSD), ex-vice de Zema.