Poder e Governo

Flavio Bolsonaro diz que tarifaço 'é do Lula' e defende união da direita para 'tirar Brasil das mãos sujas do PT'

Senador defendeu que tem, junto a Zema e Caiado, a 'grande responsabilidade de tirar o Brasil das mãos sujas do PT'

Agência O Globo - 02/06/2026
Flavio Bolsonaro diz que tarifaço 'é do Lula' e defende união da direita para 'tirar Brasil das mãos sujas do PT'
Flávio Bolsonaro - Foto: © Foto / Lula Marques / Agência Brasil

O senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) culpou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela nova tarifa americana contra o Brasil anunciada pelo governo de Donald Trump nesta terça-feira. O parlamentar também defendeu terça-feira a necessidade de união do bolsonarismo com os ex-governadores e rivais na corrida pela Presidência Ronaldo Caiado (União) e Romeu Zema (Novo). Segundo Flávio, os três presidentes têm “grande responsabilidade de tirar o Brasil das mãos sujas do PT”.

Os três presidentes atacaram o petista pela medida dos Estados Unidos de taxar o país em 25% após o Escritório do Representante de Comércio (USTR) concluir uma investigação comercial aberta contra o Brasil.

— Esse estudo que foi divulgado agora, a chamada seção 301, englobando mais de 60 países, incluindo o Brasil, com uma investigação que começou em 2025, muito antes da minha visita aos Estados Unidos em novembro do ano passado. A realidade é que essa tarifa é do Lula, pelo seu tom agressivo com os EUA, pelo seu discurso antiamericano e por defender que o dólar deixe de ser a moeda nas negociações internacionais — disse Flávio ao defensor não ter responsabilidade pela medida americana.

Na gravação, o senador voltou a mencionar a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas e disse que, enquanto pré-candidato, "fez mais pela segurança pública" do que o petista. Flávio também anunciou o envio de uma carta ao governo americano solicitando que seja evitada a tributação dos produtos brasileiros.

No documento, endereçado ao secretário de Estado Marco Rubio, o parlamentar diz que entende a decisão americana, mas afirma que a imposição do tarifaço "impõe sérios prejuízos ao povo brasileiro, que enxerga os EUA como um parceiro e amigo". "Embora compreenda que nenhuma tarifa tenha sido ainda imposta — a determinação abre um processo de consulta pública e etapas técnicas que culminarão em um prazo legal em julho — acredito ser meu dever compartilhar com vocês a real situação econômica enfrentada pelo povo brasileiro neste momento.

O presidente Lula, por sua vez, atribuiu a responsabilidade pelo anúncio das novas tarifas a Flávio Bolsonaro, classificando-o como “imbecil”.

Uns do discurso

Mais cedo, Flávio Bolsonaro fez críticas ao governo Lula e pregou a união com Caiado e Zema durante participação na Megaleite, feira do setor agropecuário na capital mineira.

— Só vamos conseguir (derrotar o PT) unidos — disse Flávio, que ressaltou a necessidade de “resgatar o país” e acusou o nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “pensar sempre em eleição”.

Em um vídeo postado nas redes sociais, Zema classificou a tributação como uma ameaça “inaceitável” e como uma medida protecionista que atinge “injustamente” o setor produtivo.

— Isso não aconteceu por acaso. O governo Lula falhou na diplomacia e não conseguiu defender os interesses do Brasil. Agora, o país corre contra o relógio para tentar evitar essa tarifação. A Casa Branca está vendendo um Brasil que perdeu a substituição, menos segurança jurídica, menos abertura comercial e menos força para negociar. O resultado é simples: quem acaba pagando essa conta da incompetência do governo não é Brasília, é o produtor brasileiro, o trabalhador brasileiro e a nossa economia — disse o ex-mandatário mineiro.

Já Caiado comentou o tema em uma entrevista coletiva durante uma exposição de produtores de leite em Belo Horizonte na manhã de hoje, evento no qual Zema e Flávio também estiveram presentes.

— O Brasil governado pelo PT não tem mais uma política do Itamaraty que seja de Estado, ele tem uma política de governo. O Itamaraty sempre foi um ponto de poder capaz de conduzir grandes acordos internacionais. A chancelaria brasileira sempre foi uma referência internacional, mas tomou um lado ideológico e trabalhou todo o tempo para querer romper essa relação com os Estados Unidos.

Na ocasião, Caiado também se referiu como um "patriota" e disse que "defende a soberania brasileira", mas afirmou que o país está nas mãos da "corrupção" e do narcotráfico, apresentando uma demonstração de apoio à classificação das facções brasileiras como organizações terroristas.

— Tem situações que, sem dúvida nenhuma, procedem quando eles dizem: "Olha, as facções são organizações terroristas que inundam o mundo com cocaína e a corrupção interna precisa ser controlada, porque nós estamos controlando a corrupção nas nossas empresas". Agora, o que não podemos aceitar é quererem taxar aquilo que o Brasil sempre teve uma parceria. Esperamos que esse diálogo seja reaberto.