Poder e Governo
Operação que mirou produtora de ‘Dark Horse’ gera incômodo nos bastidores da prefeitura de SP
Prefeito evitou críticas diretas, mas sugeriu possível motivação política na ação da Polícia Civil; aliados falam em 'fogo amigo'
A operação da Polícia Civil que teve como alvo a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme ‘Dark Horse’, causou incômodo na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e gerou críticas reservadas à atuação da polícia comandada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Aliados do prefeito consideram a busca e apreensão realizada na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia “desnecessária e midiática”, alegando que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e suas prestações de contas já eram públicas.
O ICB, presidido por Karina Ferreira da Gama, que também é dona da Go Up Entertainment, mantém um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura para a instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi em áreas periféricas da capital.
De acordo com pessoas próximas a Nunes, a ação surpreendeu o prefeito, especialmente por ter sido conduzida pela polícia estadual. Ao comentar o episódio, Nunes sugeriu uma possível conotação política e questionou: “por que só agora essa questão?”.
Segundo apuração do jornal O Globo, a operação não passou pela cúpula da Secretaria da Segurança Pública e foi conduzida de forma discreta. Uma ala da Polícia Civil demonstra insatisfação com a gestão do governador Tarcísio. O governador, por sua vez, evitou se manifestar sobre o caso, enquanto aliados ressaltam que a polícia “tem independência” e, por isso, Tarcísio não teria sido informado previamente sobre a operação.
A investigação teve início após o Ministério Público Federal (MPF) receber, em dezembro de 2023, uma denúncia sobre possíveis irregularidades no contrato do ICB com a Prefeitura de São Paulo. Como o caso envolvia a administração municipal, o MPF encaminhou a notícia de fato ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que solicitou a abertura de inquérito policial em março. O inquérito foi instaurado pela 2ª Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração e Fraudes (Discca), do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).
A apuração ficou sob responsabilidade do delegado Antonio Carlos Munuera Silveira, titular da delegacia, que obteve autorização judicial para a operação realizada nesta segunda-feira.
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