Poder e Governo
Lula articula Márcio França como vice de Haddad em São Paulo, mas PSB ainda prefere candidatura ao Senado
Petista já havia pedido voto para Marina Silva em agenda na capital paulista, em um 'gesto político forte', segundo avaliação da campanha que disputa a segunda vaga
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva externou os aliados de sua preferência por Márcio França (PSB) como candidato a vice na chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. O PSB, no entanto, insiste, por enquanto, na possibilidade de o ex-ministro disputar uma vaga ao Senado, mantendo o cenário indefinido. Haddad já manifestou incômodos com o impasse e espera solucionar a questão nos próximos dias.
A informação foi revelada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e confirmada pelo GLOBO junto a integrantes das articulações políticas.
Na semana passada, durante reunião da executiva nacional, o PSB definiu a candidatura de França como prioridade, ao lado de Flávio Dino (PSB). A medida foi uma forma de garantir a segunda vaga do grupo ao Senado, no momento em que a Federação PSOL-Rede busca novas alianças para ampliar o apoio a Marina Silva (Rede). Essa posição foi levada a Lula.
Dias antes, o petista participou de dois eventos em São Paulo ao lado de Simone Tebet e Marina Silva, ocasião em que incentivou o público, formado por motoboys e sindicalistas, a "um dia, dar voto para as duas". A declaração foi interpretada pela campanha de Marina como um "gesto político forte" em favor da composição, enquanto interlocutores de França minimizaram o episódio.
Desde o fim de abril, Haddad tem dialogado com os três ex-ministros do governo Lula sobre os rumores eleitorais. O objetivo do petista é definir a chapa estadual até o início de junho, antes do lançamento do plano de governo, previsto para o mês seguinte. Para Haddad, o ideal seria limitar o número de candidatos, evitando a dispersão dos votos e fortalecendo a coligação.
— Avançamos no cronograma e queremos finalizar essa discussão até, no máximo, a primeira semana do mês — afirmou a ex-ministra Marina Silva na sexta-feira (29). — As discussões estão se afunilando. Vamos chegar a esse resultado a partir do diálogo dentro da nossa frente, considerando a contribuição de cada partido.
O debate sobre a candidatura ao Senado considera tanto as chances de vitória quanto o potencial de cada nome em agregar eleitoralmente a Haddad e Lula, já que o posto de vice não oferece a mesma visibilidade. Além disso, a atratividade da vaga diminuiu diante das perspectivas de vitória do PT contra o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que seria inédito.
Aliados de Marina Silva defendem maior pluralidade na chapa ao Senado e citam pesquisas em que ela aparece à frente, embora com maior índice de exclusão. França, por sua vez, apresenta perfil mais ao centro e forte ligação com o meio político paulista, especialmente no interior, mas sua derrota para o senador Marcos Pontes (PL) na eleição passada pesa contra.
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