Poder e Governo
Nunes nega irregularidades em contrato com ONG de produtora de 'Dark Horse' e sugere teor político
Prefeito afirma que contratação foi regular e atribui investigação ao envolvimento da dona da ONG com filme sobre Bolsonaro
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), negou qualquer irregularidade no contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por Karina Ferreira da Gama, responsável também pela produtora do filme “Dark Horse”. Nesta segunda-feira (1º), Nunes se manifestou após a Polícia Civil suspeitas de desvio de recursos públicos, fraude na licitação e problemas na execução contratual.
"Toda investigação terá total apoio da Prefeitura de São Paulo. Até o momento, não identificamos nada de irregular. Solicitei por duas vezes na última semana a revisão completa do processo. Segundo minha equipe, não há absolutamente nada de errado na contratação", declarou o prefeito em coletiva de imprensa após a entrega de unidades habitacionais no Centro.
Nunes explicou que o programa WiFi Livre SP teve como objetivo promover a inclusão digital da população de baixa renda, por meio de chamamento público aprovado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). Ele também rebateu a informação da Polícia Civil de que a prefeitura teria pago por 5 mil pontos de internet. “Pagamos por 3.200 pontos, não por 5 mil, como foi divulgado”, afirmou.
Sobre a suspeita de superfaturamento — já que o ICB teria cobrado R$ 1.800 por ponto de internet, enquanto a Prodam, empresa pública municipal, cobraria R$ 230 — Nunes contestou os números. “A Prodam cobraria mais caro, além de não conseguir atender áreas distantes da cidade. Fizemos pesquisa de preços e o valor ficaria acima de R$ 2 mil por ponto. Hoje, pagamos R$ 1.280. Nunca houve valor de R$ 200 ou R$ 300 por ponto, isso não existe. Dos 3.200 pontos, 3.083 estão ativos e 117 offline, o que é devido normal a quedas de energia ou problemas em equipamentos”, explicou.
O prefeito negou qualquer direcionamento no processo e destacou que o chamamento público ficou aberto por 30 dias, período em que apenas o instituto de Karina apresentou proposta. "Nenhuma outra entidade quis participar. Ainda bem que essa entidade se propôs a instalar pontos em favelas e comunidades. Não identificamos até agora nenhum problema no processo", reforçou.
Nunes também sugeriu motivação política na investigação. "Acho que isso está mais relacionado ao fato de a responsável pela entidade participar do filme do (Jair) Bolsonaro. Por que essa questão só veio à tona agora?", questionou.
Ele ressaltou que a contratação do ICB ocorreu em junho de 2024, enquanto a produtora Go Up Entertainment, responsável por “Dark Horse”, apenas notificou a SPCine sobre as gravações do filme em outubro de 2025. O prefeito afirmou que não existe relação entre a Prefeitura e o filme, e não vê problema em Karina atuar tanto como produtora quanto como presidente da ONG.
"Qual o problema? Se a questão por política, é um erro grave e desrespeito à democracia. Se estão fazendo isso por causa do filme, é algo que precisa de outra apuração. Ninguém merece ser investigado por ter preferência política A ou B", concluiu.
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