Poder e Governo

Polícia Civil realiza operação contra dona de produtora de filme sobre Bolsonaro

Investigação apura suspeita de fraudes e desvios de recursos públicos em contrato firmado entre ONG de Karina da Gama e Prefeitura de São Paulo

Agência O Globo - 01/06/2026
Polícia Civil realiza operação contra dona de produtora de filme sobre Bolsonaro
- Foto: Reprodução / Instagram

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta segunda-feira (1º), a Operação Wi-Fi, que investiga suspeitas de fraudes em contrato firmado entre a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo. O ICB é presidido por Karina Ferreira da Gama, também proprietária da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com a Polícia Civil, foram identificadas possíveis irregularidades tanto na licitação quanto na execução do contrato, além de indícios de desvio de recursos públicos. O instituto foi contratado pela gestão Ricardo Nunes (MDB) por R$ 108 milhões para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi gratuito em vias públicas da capital paulista. A Prefeitura foi procurada para comentar a operação, mas ainda não se manifestou. O espaço permanece aberto para posicionamento.

A apuração teve início após investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que identificou suspeitas de direcionamento no chamamento público, do qual apenas o Instituto Conhecer Brasil participou, mesmo sem apresentar “experiência anterior ou capacidade técnica no setor de telecomunicações”. Outro ponto levantado é que a ONG teria contratado serviços com valores muito acima dos praticados no mercado. Segundo o MP-SP, a Prodam, empresa pública de tecnologia da Prefeitura, cobraria R$ 230 por ponto para implantação e R$ 306 para manutenção mensal, enquanto o ICB teria cobrado R$ 1.800 por ponto instalado.

Há ainda indícios de irregularidades na prestação de contas apresentada pela entidade à Prefeitura. Documentos protocolados junto à gestão municipal mostram que a ONG de Karina apresentou R$ 8,5 milhões em faturas referentes à contratação de serviços da Make Onde Tecnologia Digital Ltda., porém, não foram emitidas notas fiscais relativas a esses serviços.

As investigações seguem em andamento.