Poder e Governo

PL tenta turbinar Douglas Ruas em meio a busca por 'enterrar' Castro, de quem ele foi secretário

Candidato do partido ao governo do Rio, ex-titular da pasta de Cidades reforçou investimento em equipes de comunicação

Agência O Globo - 31/05/2026
PL tenta turbinar Douglas Ruas em meio a busca por 'enterrar' Castro, de quem ele foi secretário
Douglas Ruas - Foto: Reprodução / Instagram

Depois de baques em série no Rio, o PL tenta virar a chave e fazer a pré-candidatura de Douglas Ruas ao governo do estado avançar. O presidente da Assembleia Legislativa, que ainda busca assumir o Palácio Guanabara de forma interina antes da campanha, contratou duas equipes de comunicação. Ao mesmo tempo, ele e o partido pretendem “enterrar” o ex-governador Cláudio Castro, alvo de operações, e intensificar debates com Eduardo Paes (PSD).

Ruas tem um pré-contrato com o marqueteiro Paulo Vasconcelos, que também coordenou a campanha presidencial de Ronaldo Caiado (PSD). Recentemente, uma aquisição do pré-candidato ao PL foi a chegada da equipe de Daniel Braga, ex-marqueteiro de João Doria, que substituiu suas redes.

Pesquisas qualitativas estão em curso. O desafio de Ruas é combater o favoritismo de Paes, que na última pesquisa Genial/Quaest tinha 40% das intenções de voto, quatro vezes mais que o escolhido do PL. Nas últimas semanas, observadores da política local passaram a vaticinar que a candidatura não iria até o fim, o que ele e o partido negaram.

O diagnóstico dos céticos se baseia no fato do deputado, com 37 anos, ter muito a perder caso não vença a disputa. Ruas ficariam quatro anos sem mandato, já que o pai, Capitão Nelson, é prefeito de São Gonçalo, e as regras eleitorais não permitem que o filho concorra à sucessão.

— A candidatura é irreversível, já estou tocando uma pré-campanha. Vou me apresentar à população para que ela conheça o Douglas Ruas e faça a melhor escolha — afirma o presidente da Alerj.

Figura tóxica

Uma das tarefas de comunicação é conseguir fazer com que o pré-candidato se desvencilhar de Cláudio Castro, mesmo tendo sido secretário de Cidades do ex-governador. Depois que as investigações sobre a Master e a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, atingiram o correligionário, Castro se tornou figura tóxica para aliados, tanto que ninguém de peso do PL saiu em solidariedade na semana passada.

Interlocutores de Ruas propagam a associação de Paes a episódios antigos, como a reportagem de aliados na Lava-Jato, como uma possível arma eleitoral. Pretendem “jogar o jogo” e reverter o que contamos, hoje, um predomínio narrativo do político do PSD nas discussões da seara moral.

— Douglas reúne todas as condições pessoais e políticas para ser governador, vamos mostrar isso — diz o dirigente Bruno Bonetti.

O próprio Ruas deu uma prova disso ao publicar, na sexta-feira, um vídeo no qual diz que não vai “passar a mão na cabeça de ninguém”. A fala aparece acompanhada de notícias com acusações contra Paes, embora também funcione como forma de se distanciar de Castro. "Ao meu lado não quero corruptos. Não vou passar pano na cabeça de ninguém! Não compactuo com sacanagem!", dizia a legenda.

Paes tem martelado, com frequência, a relação entre Ruas e o grupo que comandou o estado nos últimos anos. Também na sexta, voltou a chamá-los de “máfia”.

"Eles são uma máfia. Podem acreditar. Farão de tudo para voltar ao poder no Estado do Rio. (Wilson) Witzel caiu e foi substituído por Castro, que caiu e já tem seu pupilo substituto doido para sentar na cadeira. Eles não param!", publicado nas redes sociais.

A publicação do ex-prefeito trazia ainda a notícia de que o presidente da Alerj havia entrado no Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido para assumir de forma interina o governo do Rio. Desde o final de março, quem está na cadeira é o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto.

O ministro Cristiano Zanin deu uma liminar em abril que determinou a manutenção do desembargador, o que foi reforçado depois pelo plenário. Na tarde de sexta, o ministro Luiz Fux negociou o novo pedido de Ruas com base no argumento de que já havia decisão do plenário.

Novidades na pré-candidatura

Comunicação: Além de colaborar um pré-contrato com o marqueteiro Paulo Vasconcelos, que fez a campanha vitoriosa de Castro em 2022, Ruas contratou Daniel Braga, ex-marqueteiro de João Doria, para cuidar das redes sociais a partir de agora. Novos vídeos já sinalizam uma mudança.

'Enterrar' Castro: Embora tenha sido secretário de Cidades do governo Cláudio Castro até o final de março, Ruas e o PL tentaram sepultar a relação com o ex-governador, assolado por operações da PF. Ninguém de peso do partido saiu em defesa dele na semana passada, após mandato no caso Master.

Embate com Paes: Até então, o ex-prefeito Eduardo Paes, líder das pesquisas da eleição estadual, vinha atacando o grupo político de Ruas sem ter tantas respostas. Agora, o candidato do PL passou a intensificar o debate. Uma das apostas está em resgatar acusações antigas contra Paes.