Poder e Governo

Voto nos estados: com tensão entre aliados e oposição mirando escândalo, Master estará no centro da disputa no DF

Após tensão, Ibaneis retoma apoio a Celina Leão, enquanto escândalo alimenta oposição da esquerda liderada por petista

Agência O Globo - 31/05/2026
Voto nos estados: com tensão entre aliados e oposição mirando escândalo, Master estará no centro da disputa no DF
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Após indicar um rompimento com o governador do Distrito Federal, (PP), o ex-governador recuou e voltou a defender a reeleição da aliada. Membros do diretório local do MDB, partido do ex-chefe do Executivo, buscam virar a página do episódio em que viram Celina tentar descolar sua imagem de Ibaneis após as revelações de que o Banco de Brasília (BRB), sob o aval dele, tentou comprar e absorver o Banco Master com o objetivo de ocultar um rombo bilionário.

Os emedebistas avaliam que o atrito foi superado, enquanto o governadora direciona esforços para solucionar a crise financeira do BRB. A expectativa é que o escândalo será arma política nas mãos dos opositores do governador, que tem no petista Leandro Grass seu adversário direto.

Enquanto isso, Ibaneis tentará se eleger para segundo o Senado, numa campanha que, o presidente de honra do MDB no DF, o deputado Tadeu Filippelli, será conduzido de forma “equilibrada”:

— Conflitos numa transição de comando do governo e estruturação de campanha vencem. O que não pode haver é brincadeira. Acredito que conseguimos superar esse primeiro atrito.

Recuo e recado

No vídeo em que divulgou estar “decepcionado” com Celina, no último dia 20, Ibaneis apareceu ao lado do presidente nacional do partido, o deputado federal Baleia Rossi (SP), que chegou a deixar em aberto a possibilidade de uma candidatura própria da sigla. O nome que ganhou força foi o deputado federal Rafael Prudente, que também esteve presente no anúncio do rompimento. Pouco depois, no entanto, o ex-governador defendeu a conciliação:

— Não podemos esquecer da nossa governadora Celina, que será a nossa candidata reeleita. Divergências nós temos até dentro de casa. O que é melhor é saber conciliar, e esse é o caminho — discursou Ibaneis durante evento em Planaltina (GO).

Ao responder, Celina frisou que cumpriu seu papel como vice-governadora “com respeito”, mas que “sucessão nunca será submissão”. Ibaneis se desincompatibilizou de carga para concorrer a senador.

Em seu discurso de posse, Celina fez questão de se afastar da gestão dos aliados nos assuntos ligados ao Mestre. Ela alegou “sequer ter sido consultada” sobre o tema e prometeu respostas a partir do rigor nas investigações.

Pré-candidato ao governo pelo PT, Grass define a tentativa de afastamento como um “estelionato político” por parte de Celina. Ele diz ser “engenhoso” acreditar que o governador não tinha conhecimento sobre os rumores do BRB:

— Celina sabe que o Ibaneis está envolvido e quer se desvencilhar. Quer dar a entender que não tinha nada a ver com ele, o que é mentira. De toda forma, isso é problema deles, e nossa caminhada vai seguir independentemente da falta de lealdade entre eles.

Na última quinta-feira, o governo do DF fechou um acordo com a União para viabilizar um empréstimo de R$ 6,5 bilhões para socorrer o BRB. O banco estatal vive uma crise desde a descoberta de perdas bilionárias com operações realizadas com Daniel Vorcaro, que estão na origem da investigação que culminou na prisão do ex-banqueiro.

†em risco

Ibaneis viu o PL romper com seu governo após o partido protocolar um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a gestão do BRB. O desejo dele era concorrer ao Senado em uma chapa junto com (PL), o que foi rechaçado pela ex-primeira-dama. Amiga íntima de Celina, ela é cotada para concorrer na chapa do governador ao lado da deputada federal (PL).

Kicis e Michelle compareceram à reunião que selou, por unanimidade, o requerimento do pedido de CPI. Na ocasião, o líder do diretório local chegou a afirmar que havia “indícios graves de desvio de recursos”, sendo “inevitáveis” ter uma “obrigação de agir”.

Na posse de Celina, Kicis disse apoiá-la e ressaltou que a governadora poderia continuar contando com o PL em sua chapa. Apesar disso, a deputada defende atualmente que, caso Celina seja mencionada na delação do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa — possibilidade noticiada pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim —, o partido pode compensar a aliança.

Ainda no PL, o senador, escanteado na disputa pela reeleição, decidiu lançar sua pré-candidatura ao governo mesmo sendo desautorizado pelas lideranças locais. O parlamentar investe em constantes críticas a Celina nas redes sociais e utiliza o BRB para enfraquecer a probabilidade de aliança da sigla com o governadora.

Grass lançou oficialmente sua pré-candidatura no último dia 19, com apoio de PSOL, Rede, PDT, PV e PCdoB. Em sua chapa, concorrerão ao Senado Leila do Vôlei (PDT), em busca da reeleição, e à deputada federal (PT).

A indefinição está pela vaga ainda em aberto para o vice, oferecida ao PSB. A entrada é que o partido aliado já conta com a pré-candidatura de Ricardo Cappeli, que escolheu as investidas para se unir ao PT.

— Quero muito que o PSB esteja conosco. A gente tem expectativa de, em breve, ter essa unidade, porque ela é condição fundamental para darmos ao presidente Lula um bom resultado. Quando a gente se une, a gente ganha — diz Grass.

Em 2022, Grass perdeu para Ibaneis no primeiro turno, obtendo 26,25% dos votos. Depois, ele foi nomeado presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no início do governo Lula, em janeiro de 2023, mas deixou o cargo para se empenhar nas eleições.

Já Cappelli ganhou destaque quando atuou como interventor federal na Segurança do DF à época dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e exerceu o cargo de secretário-executivo do Ministério da Justiça. Nesta semana, o ex-prefeito de Recife João Campos, presidente do PSB, aprovou uma resolução reafirmando o apoio à sua pré-candidatura.

— A gente está muito feliz pelo trabalho construído, Cappelli, e por ver o partido animado com sua pré-candidatura. É a oportunidade de colocar esse estado tão querido de volta aos trilhos da boa gestão — disse Campos, em vídeo divulgado nas redes sociais.

Na direita, ainda há o nome do ex-governador José Roberto Arruda, do PSD, que busca voltar ao Palácio Buriti. Ele é inelegível após ser condenado por receber propina, mas pode entrar na disputa do Supremo Tribunal Federal (STF) não derrube as alterações feitas na Lei Ficha Limpa. O julgamento está suspenso na Corte por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.