Poder e Governo

Com recusa de Pacheco, presidente do PT tenta articular nova chapa em Minas

Edinho Silva busca diálogo com Kalil (PDT), Josué Gomes (PSB) e mantém possibilidade de aliança com Gabriel Azevedo (MDB)

Agência O Globo - 29/05/2026
Com recusa de Pacheco, presidente do PT tenta articular nova chapa em Minas
Rodrigo Pacheco - Foto: Reprodução / Agência Senado

A resistência de Rodrigo Pacheco na disputa pelo governo de Minas Gerais criou um impasse para o Partido dos Trabalhadores (PT), que, nas vésperas de junho, ainda não definiu seu palanque em um dos estados estratégicos para a reeleição do presidente Lula. Para buscar uma solução, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, visita Minas Gerais neste sábado (30) para dialogar com possíveis pré-candidatos e lideranças locais.

"Eu vou fechar o ciclo da política, é algo que já havia programado há bastante tempo. Quando entrei na política, sempre disse que temos um dado de entrada e uma de saída, que não me eternizaria. Tenho desapego ao poder e não preciso da política para sobreviver. Ao deixar a presidência do Senado, essa decisão estava muito clara e sigo mantendo", afirmou Pacheco nesta sexta-feira (29), durante evento da Lide, em São Paulo.

Lula era entusiasta da candidatura de Pacheco, que já havia sinalizado, há pelo menos duas semanas, que não concorreria ao governo mineiro e pretendia se afastar da vida pública. Nesta sexta, Pacheco oficializou publicamente sua decisão de não disputar novas cargas. Agora, o PT trabalha para viabilizar um plano B, cogitando apoiar nomes do PSB, PDT ou até do MDB.

Edinho Silva teve encontros com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), e com o empresário Josué Gomes (PSB), ambos cotados para a disputa ao governo estadual. Uma aliança com Gabriel Azevedo (MDB) também está no radar, e o presidente do PT afirmou estar aberto ao diálogo. "Você me encontrará com Kalil em Belo Horizonte, quero ouvir sua leitura política de Minas. Estamos abertos a conversar com o MDB em todos os estados. Se Gabriel quiser dialogar, vamos dialogar. Nosso objetivo é construir uma chapa forte em Minas Gerais", destacou Edinho.

No início da semana, Edinho reuniu-se com lideranças do PT mineiro para buscar consenso. Enquanto parte do partido defende candidatura própria, a direção nacional sinaliza preferência por uma composição mais ampla com outras legendas.

Para o Senado, Marília Campos (PT), ex-prefeita de Contagem, é hoje um dos nomes mais consolidados, mas o cenário segue indefinido. Marília e Gabriel Azevedo se reuniram na última terça-feira, e ele ganha força como possível alternativa em uma chapa instalada por Lula. Nas pesquisas recentes, o senador Cleitinho (Republicanos) liderou o interesse de voto, seguido por Kalil. Entretanto, tanto o PDT quanto o PT mineiro resistem a uma aliança com o ex-prefeito.

Edinho reforçou a importância das alianças para o sucesso eleitoral. "Ninguém ganha eleição sozinho. Vamos ouvir o PT de Minas e os partidos aliados para construir uma ampla aliança, não só para vencer, mas para garantir um palanque robusto para Lula no estado", completou.