Poder e Governo

Menção à família Bolsonaro em nota do governo sobre ação dos EUA foi sugerida por Sidônio e avalizada por Lula

Inclusão do nome dos Bolsonaro em resposta à decisão dos EUA sobre facções teve estratégia política definida por Sidônio Palmeira e aprovada por Lula.

Agência O Globo - 29/05/2026
Menção à família Bolsonaro em nota do governo sobre ação dos EUA foi sugerida por Sidônio e avalizada por Lula
- Foto: © Foto / Seaud / Presidência da República

A citação à atuação da família Bolsonaro na nota em que o governo brasileiro respondeu à decisão dos Estados Unidos de classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas realizadas de um planejamento político estratégico. A sugestão partiu do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, responsável pela comunicação da campanha de Lula em 2022, e foi avaliada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre agenda em Sergipe nesta sexta-feira.

Segundo interlocutores do ministro, a inclusão buscou evidenciar que a decisão americana teve influência direta da família Bolsonaro. O governo atribuiu a designação das facções como organizações terroristas internacionais à recente visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do pré-candidato ao Planalto, do Donald Trump e do senador americano Marco Rubio.

Flávio Bolsonaro e aliados celebraram uma iniciativa de Trump. No entanto, a avaliação do Palácio do Planalto é que a adoção dessa medida pode trazer consequências sensíveis para a soberania nacional e para a cooperação bilateral em segurança. A principal preocupação do governo Lula não está diretamente relacionada às organizações criminosas, mas aos potenciais efeitos jurídicos, diplomáticos e institucionais que a designação pode desencadear.

“É deplorável que mais uma vez membros da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fez no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, diz a nota oficial.

Antes da divulgação do comunicado, ministros do governo se reuniram no Palácio do Planalto para definir a linha de acontecimento ao anúncio dos Estados Unidos. Mesmo em viagem para Sergipe, Lula já havia dado aval ao texto.

"A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros."

O governo demorou quase 18 horas para reagir à decisão do Departamento de Estado Americano. A calibração do tom da resposta levou em conta a preocupação de que um acontecimento do governo não transmite a ideia de que a gestão petista defende os criminosos, especialmente em um momento em que Lula tem suportado o discurso contra o crime organizado.