Poder e Governo
Lula confirma que vai indicar novamente Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal
Presidente afirma que o advogado foi rejeitado pelo Senado por motivos políticos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, nesta sexta-feira, que reapresentará a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão ocorre após o nome de Messias ter sido rejeitado pelo Senado. Segundo Lula, a nova indicação representa a defesa da prerrogativa constitucional do presidente da República de escolher os ministros da Corte.
Durante o discurso, Lula declarou ter ficado “triste” com a exclusão de Messias e ressaltou que a decisão não se deu por ausência de qualificação técnica ou por questionamentos à conduta do advogado.
— Eu vou mandar o Messias outra vez. E vou mandar por respeito à função presidencial. Sou eu que indico — afirmou o presidente.
Lula destacou o reconhecimento jurídico de Messias e argumentou que a exclusão foi motivada unicamente por razões políticas.
— Ele não foi derrotado por incompetência jurídica, porque é um dos melhores advogados deste país. Não foi derrotado por ter alguma ficha suja na vida dele. É um dos homens mais íntegros deste país. Ele foi derrotado por uma questão simplesmente política — disse Lula.
Ao defender a nova indicação, o presidente reconheceu o direito do Senado de rejeitar nomes para o Supremo, mas ponderou que isso deveria ocorrer apenas em casos de questionamento sobre capacidade técnica ou conduta do indicado.
— O Senado pode derrotar alguém se ele não tiver competência jurídica. Então o Senado disse: "eu não vou votar em você porque você é um advogado ruim, porque tem ficha suja". O que não pode é simplesmente derrotar por derrota, porque não tem explicação — afirmou.
No mesmo discurso, Lula defendeu o diálogo político e criticou o ambiente de polarização no país. Segundo ele, a política brasileira atravessa um momento de intolerância e hostilidade entre adversários.
O presidente ressaltou que a construção da maioria no Congresso depende da capacidade de negociação entre diferentes políticas correntes, citando a proposta de propostas do governo como resultado da estratégia de diálogo adotada pelo Palácio do Planalto.
— Na governança eu preciso dos amigos, dos meio amigos e dos inimigos. Quando o projeto é de interesse brasileiro, não tenho vergonha de conversar com nenhum senador ou deputado, de qualquer partido político — afirmou Lula.
A indicação de ministros para o STF é atribuição exclusiva do presidente da República, mas a nomeação depende da aprovação da maioria absoluta do Senado, após sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Uma eventual reapresentação do nome de Messias iniciará um novo processo de análise pelos senadores.
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