Poder e Governo
Lula solicita à Fazenda estudo sobre efeitos econômicos de designação do CV e PCC como terroristas pelos EUA
Governo analisa consequências econômicas da decisão dos EUA e discute resposta que reforce a soberania nacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, um levantamento detalhado sobre os possíveis impactos econômicos decorrentes da decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
De acordo com fontes do governo, a equipe econômica já iniciou um mapeamento para identificar quais setores podem ser afetados e de que forma mensurar eventuais consequências advindas da medida americana.
Essa avaliação ocorre em meio à mobilização do governo federal para definir uma resposta oficial ao anúncio feito pelo Departamento de Estado dos EUA. O tema será pauta de reuniões nesta sexta-feira no Palácio do Planalto, podendo incluir um encontro entre Durigan e integrantes da Casa Civil.
Nos bastidores, auxiliares de Lula relatam que o presidente foi surpreendido pela forma como a decisão foi comunicada e considera que o governo brasileiro deveria ter sido informado previamente. A principal preocupação do Planalto é evitar que a classificação abra brechas para interpretações que possam justificar ações unilaterais dos Estados Unidos em questões consideradas de competência exclusiva do Brasil.
O governo pretende reforçar a defesa da soberania nacional, ao mesmo tempo em que busca preservar a cooperação bilateral no combate ao crime organizado.
A medida, anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, enquadra PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas para fins da legislação americana. A decisão amplia mecanismos de bloqueio de ativos, restrições financeiras e sanções a pessoas ou empresas que mantenham relações com as organizações criminosas. Especialistas avaliam que os impactos imediatos devem recair principalmente sobre instituições financeiras e operações conectadas ao sistema bancário americano.
O tema ganhou ainda mais repercussão política após a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos nesta semana. Integrantes do governo avaliam que a decisão americana deve pressionar o Planalto a se manifestar publicamente, mas defendem cautela para evitar que eventuais críticas sejam interpretadas como defesa das facções criminosas.
Até o momento, o governo federal não definiu se divulgará uma nota oficial ou se o próprio presidente abordará o tema em agenda pública ainda nesta sexta-feira.
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