Poder e Governo
Aliados de João Campos veem campanha negativa nas redes como motivo de virada de Raquel Lyra em pesquisa ao governo de Pernambuco
Governadora aparece à frente em levantamento do Datafolha
Aliados de João Campos (PSB) veem o que chamam de uma campanha negativa contra o ex-prefeito como um motivo que justifica a virada da governadora Raquel Lyra (PSD) em pesquisa de intenção de voto para o governo de Pernambuco. Os dois são adversários políticos no estado e aparecem como as candidaturas mais competitivas ao Palácio do Campo das Princesas.
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostra Lyra numericamente na liderança da corrida pela reeleição no estado. Ela aparece com 48% das intenções de voto, contra 43% do ex-prefeito e também está à frente em um eventual segundo turno. O cenário representa uma mudança em relação à divulgação anterior, em abril, quando Campos aparecia com 12 pontos percentuais de vantagem contra a governadora.
O entorno de Lyra celebrou o resultado e afirmou que esse crescimento já vem sendo captado por pesquisas internacionais da campanha dela à reeleição. A avaliação é que esse aumento se deu pelo reconhecimento da gestão. Além disso, fala que ela intensificou agendas nas ruas, ficando mais próxima do dia a dia das pessoas, ao mesmo tempo em que teve entregas e investimentos nos últimos meses em diferentes áreas, como segurança pública, saneamento e saúde. Um trunfo da governadora, dizem esses aliados, também são as costuras políticas que ela vem fazendo. Eles disseram que 134 prefeituras (de 184 no estado) estariam apoiando a busca pela reeleição.
Aliados do ex-prefeito do Recife e atual presidente nacional do PSB, por sua vez, dizem que ele vem sofrendo uma campanha difamatória nas redes sociais. Um interlocutor frequente de Campos diz que a campanha dele não trata essas publicações críticas como casos episódicos.
Um caso recentemente usado por esses aliados para exemplificar esses ataques virtuais é um em que Campos sofreu críticas por tirar uma correntinha de ouro que usa diariamente antes de participar de agendas públicas. Nas redes, os usuários acusaram o ex-prefeito de esconder o acessório para evitar roubos. Como resposta, ele gravou um vídeo dizendo que era “lamentável” desvirtuar um fato para fazer “uso distorcido político”, e que ele tirou o acessório para evitar ruídos captados por microfone em gravação.
"Eu uso o tempo todo [a corrente]. Quando vou fazer gravação interna ou externa eu tiro, porque a gente bota um microfonezinho de lapela que faz esse barulho e atrapalha a gravação", afirmou nos vídeos.
Nesse contexto, fala até de apoio a figuras públicas de grande alcance populares à candidatura de Raquel Lyra. Um dos citados é o cantor Wesley Safadão, que por mais de uma ocasião esteve ao lado do governador.
Nesta quinta, ela apresentou em suas redes sociais um vídeo em que ela é elogiada pelo cantor, chamado por ela como “amigo” na publicação. No filmete, o cantor chama a governadora de “amiga”, “guerreira” e “trabalhadora”. "Você é incrível. Acompanhando o seu trabalho, a sua dedicação, que Deus te ilumina. Eu sei o quanto você se dedica para o estado de Pernambuco, sou seu fã", diz o cantor no vídeo compartilhado.
Palanque para Lula
A disputa entre João Campos e Raquel Lyra é uma das mais simbólicas no pleito deste ano, e tem consequências diretas na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. Como o GLOBO mostrou, um dos ruídos entre PT e PSB é uma possibilidade levantada por aliados de Lula do presidente ter um palanque duplo no estado, mantendo-se neutro, o que é rechaçado por João Campos. O ex-prefeito critica a atuação do ex-ministro da Casa Civil Rui Costa para não garantir o apoio exclusivo de Lula à sua candidatura.
Integrantes da cúpula do PSB dizem ainda que um eventual ruído em Pernambuco poderá levar a uma revisão do apoio à sigla do vice-presidente Geraldo Alckmin ao PT em outros estados nas eleições. A interlocutores, o ex-prefeito dá como certo esse apoio exclusivo de Lula em torno de seu nome. Já aliados de Raquel Lyra dizem que não estão descartados a possibilidade de o chefe do Executivo se manter neutro.
Esses aliados dizem que o resultado da pesquisa desta quinta-feira dá mais força para que esse caminho seja adotado por Lula, diante da avaliação de que será uma eleição acirrada em outubro e que o petista não poderá abrir mão de apoios estratégicos.
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