Poder e Governo
Cálculo eleitoral leva PL a 'bater cabeça' em aprovação da escala 6x1 na Câmara
Após se manifestarem contra a PEC, bolsonaristas votam a favor da proposta e criam ruído com campanha de Flávio Bolsonaro
Pressionado pelo apelo popular do fim da escala 6x1, a oposição bolsonarista enfrentou uma reviravolta na Câmara e precisou rota recalcular em meio à aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) em função de um planejamento eleitoral para evitar desgastes. Após manifestações críticas ao texto ao longo dos últimos meses e esforço de apresentação de contrapostas na véspera da votação, o partido do ex-presidente (PL) deu apoio majoritário à proposição, movimento que também abriu um novo ruído na campanha do senador (PL).
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A proposta foi aprovada na quarta-feira no plenário com 472 votos declarados no primeiro turno, dos quais 83 foram de parlamentares do PL. Na segunda rodada de votação, os números foram, respectivamente, para 461 e 81. Entre os que se manifestaram pela aprovação da PEC, estão nomes do núcleo duro do bolsonarismo, como (DF), (MG), (RJ), (CE), (SP), (GO), Eduardo Pazuello (RJ) e Marcos Pollon (MS). Os votos contrários se concentraram em parlamentares do PL do Sul, como (PL-SC), Maurício Marcon (PL-RS), Caroline de Toni (PL-SC) e Bibo Nunes (PL-RS).
O aval dado pela sigla ao texto representou uma inversão na posição defendida até então por seus integrantes, críticos por considerá-la um ativo eleitoral para o presidente Lula, que usará na campanha de reeleição. A mudança de posicionamento, no entanto, havia sido antecipada pelo presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, na segunda-feira, quando defendeu que o partido apoiasse a proposta.
— Se nós não aprovarmos 6x1, o Lula ganha a eleição e, no ano que vem, faz 4x1. Temos que chegar ao poder e votar nas propostas que agradam à maioria da população. A maioria dos nossos deputados pensa desta maneira — disse em entrevista à CNN.
O grupo político, no entanto, trabalhou para impedir o andamento da discussão nos moldes defendidos pelo governo. No início do mês, os integrantes do PL buscaram articular para que o período de transição para o novo regime de trabalho fosse de até dez anos. Já na véspera da votação, o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que a sigla apoiaria uma versão alternativa que prevê a redução da jornada de trabalho para 4x3, e não os 5x2 defendidos pelo Planalto.
“Agora queremos ver, quem diz defensor o trabalhador terá a oportunidade de provar no voto”, escreveu Sóstenes em um post no X na terça-feira.
A ofensiva também foi replicada por Nikolas Ferreira que, em um vídeo publicado na mesma data, afirmou que defendia a discussão “de maneira séria e não populista, como a esquerda está fazendo”: “A discussão aqui, amigo, não é somente sobre escala não, é sobre salário e tudo que está em volta. Sabe por quê? Porque o governo do PT, ele criou esse problema, alimentou esse problema, quer lucrar politicamente com ele e agora se aparece como solução. Porque não adianta mexer em escala se você está num ponto de ônibus e o seu celular é roubado”.
A versão anterior ao 4x3 foi defendida durante a sessão da Comissão Especial que votou o tema antes de ele ir ao plenário. Ao ter as propostas negadas, Sóstenes acusou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de tratar a discussão em benefício do presidente Lula.
No plenário, mesmo diante das tentativas de interferência, o texto foi aprovado com os votos da maioria da bancada do PL. O movimento foi na contramão do posicionamento de Flávio Bolsonaro, pré-candidato da legenda ao Planalto. Antes de embarcar para os Estados Unidos, ele acusou o governo de “tentar vender uma solução fácil para a população” e afirmou que a proposição geraria “desemprego em massa”, “aumentaria o custo de vida” e “prejudicaria mais os trabalhadores do que ajudaria”.
Integrantes da campanha de Flávio admitiram que o episódio embaralhou o discurso do pré-candidato num momento em que o parlamentar tenta ampliar pontes fora do bolsonarismo e construir uma agenda econômica sem entrar em intervenções diretas com pautas populares. A avaliação interna é que o tema tem forte apelo popular e que o senador não poderia aparecer liderando uma resistência frontal à proposta.
Ao mesmo tempo, aliados avaliam que o PL não poderia aderir à pauta do governo e tem em capitalização por parte do Palácio do Planalto. Em resposta, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, apresentou uma PEC e tenta mudar a rota do debate no Senado. O texto propõe que os trabalhadores escolham entre o regime CLT e um modelo baseado em horas trabalhadas.
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