Poder e Governo

Haddad e ministros participam de ato do 1° de Maio no ABC e cobram Congresso por fim da escala 6x1

Sem o presidente Lula, Dia do Trabalho em São Bernardo do Campo também teve na pauta a defesa dos direitos das mulheres

Agência O Globo - 01/05/2026
Haddad e ministros participam de ato do 1° de Maio no ABC e cobram Congresso por fim da escala 6x1
Haddad e ministros participam de ato do 1° de Maio no ABC e cobram Congresso por fim da escala 6x1 - Foto: Reprodução / Instagram

O ato do Dia do Trabalho nesta sexta-feira em São Bernardo do Campo, berço político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi marcado pela defesa do fim da escala de trabalho 6x1 e pelos direitos das mulheres. O petista não compareceu aos festejos pelo segundo ano consecutivo e coube aos ministros Luiz Marinho (Trabalho), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Leonardo Barchini (Educação) defenderem a pauta prioritária do governo federal para os trabalhadores neste ano: aprovar, no Congresso, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial. O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes, Fernando Haddad (PT), foi a presença mais aguardada.

Pela manhã, À tarde, discursou no Paço Municipal de São Bernardo, onde exaltou Lula e convocou os trabalhadores a cobrarem os parlamentares para aprovarem o projeto do fim da escala 6x1 antes das eleições de outubro.

— A batalha do ano é fazer o Congresso aprovar a revisão da jornada 6x1. Já está no Congresso e, sem mobilização da classe trabalhadora, vai sendo adiado. E como tem eleição neste ano, precisamos aproveitar o ânimo dos trabalhadores para falar com os deputados e senadores para que eles votem a emenda constitucional que estabelecerá a jornada de 40 horas, com dois dias de descanso, sem redução de salário. Porque com redução é fácil. Vamos dar mais um passinho na direção certa — afirmou.

Em tom de campanha, Haddad disse que o PT já está “negociando com os sindicatos a plataforma para o próximo mandato do presidente Lula”. E afirmou que uma das demandas é a isenção do imposto de renda na Participação de Lucros e Resultados (PLR).

— Muitos trabalhadores recebem a PLR e pagam o imposto de renda (sobre ela). Todas as centrais reivindicaram que passe a constar no plano de governo a isenção, uma previsão constitucional. Temos que pensar o passado, o presente e o futuro da classe trabalhadora. Não podemos esquecer das tarefas que temos pela frente, e elas são grandes esse ano. Vamos chegar lá e outubro vai trazer uma grande notícia para o Brasil — acrescentou.

Já o ministro da Educação, Leonardo Barchini, falou sobre a importância de se ampliar o ensino em tempo integral, desde as creches, citou o programa Pé-de-Meia, e também defendeu a redução da jornada de trabalho como uma ferramenta para avanço no setor.

— A conquista neste ano será para as mães trabalhadoras, que precisam ter seus filhos nas creches para permanecerem no mercado de trabalho. E é muito importante o fim da escala 6x1, para que pais e mães acompanhem a educação de seus filhos. Um pai cansado não consegue acompanhar a educação de seus filhos — disse ao discursar no palco, quando o dia virava noite.

Em conversa com jornalistas ao chegar no ato, Boulos minimizou o efeito das derrotas de Lula no Congresso nesta semana para a tramitação do projeto da escala 6x1. Na quarta, o Senado rejeitou a indicação do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), e no dia seguinte foi derrubado o veto presidencial ao projeto que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

— O presidente Lula enviou um projeto de lei com regime de urgência. A PEC está tramitando na Câmara há mais de um ano. Só foi andar agora, pela pressão da sociedade e disposição do presidente em abraçar a causa. Com o projeto de lei com regime de urgência, até o meio de julho precisa ser votado nas duas casas, ou tranca a pauta. Então, cada deputado, cada senador, tomará seu lado. Aqueles que estão ao lado dos trabalhadores, e de 80% da população brasileira que defende no mínimo dois dias de descanso, e aqueles que estão contra. Esses vão pagar o preço na urna em outubro — disse Boulos.

Indagado sobre o mesmo tema pelo GLOBO, Haddad também afirmou não ver impactos dos resultados desfavoráveis ao governo nesta semana na tramitação do projeto que modifica a jornada dos trabalhadores. Para o ex-ministro, é “imperioso” enfrentar essa questão agora e é preciso “separar as coisas”.

— O Brasil está há muito tempo sem se debruçar sobre esse assunto. E agora a sociedade amadureceu, todo mundo sabe que isso favorece o trabalhador, mas também favorece o patrão. Vai ter trabalhador mais produtivo, mais empenhado, mais envolvido. É bom para todo mundo. Trabalhamos bastante para isso, para depois sobrar um tempo livre para a cultura, para a família, para os filhos, para o marido, para a esposa, para a educação — acrescentou.

Shows e ausência de cartazes

Realizado no Paço Municipal, o evento do Dia do Trabalho em São Bernardo começou às 10h, e contou com apresentações musicais de samba, pagode, piseiro e funk durante todo o dia. À noite, estão previstos os shows de Gloria Groove e Filho do Piseiro. O evento começou a ter casa cheia por volta das 17h, com a proximidade dos shows dos artistas mais conhecidos.

Quem passava pela praça poderia até confundir o ato com um festival musical, já que, fora as projeções no palco e leques que estavam sendo distribuídos, não havia cartazes ou placas relativas ao 1° de Maio.

Neste ano, os atos realizados pelos sindicatos em todo o país tiveram como motes, além do fim da escala de trabalho 6x1, o combate ao feminicídio, a isenção do imposto de renda na PLR e a igualdade salarial entre homens e mulheres.

Entre as apresentações em São Bernardo, líderes sindicais discursaram, defendendo sobretudo o fim da escala 6x1. Muitos deles também mencionaram as eleições deste ano, destacando a “importância de se eleger um presidente que não seja contrário aos sindicatos” e pedindo que os jovens votem. Houve endosso explícito a Lula, com gritos de “olê, olê, olá, Lula, Lula”, entoados pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana (Siemaco) do ABC, Roberto Alves.