Poder e Governo

TCU arquiva investigação sobre voos de Nikolas Ferreira em jatinho de empresário

Deputado utilizou aeronave durante agendas de campanha no segundo turno das eleições de 2022

Agência O Globo - 01/05/2026
TCU arquiva investigação sobre voos de Nikolas Ferreira em jatinho de empresário
TCU - Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

O Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou a representação que solicitava investigação sobre os recursos usados nas viagens aéreas do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em um jatinho executivo de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e investigado por fraudes bancárias. A ação foi apresentada pelo Ministério Público junto ao TCU (MPTCU), assinada pelo subprocurador-geral Lucas Rocha, mas teve sua análise encerrada na última semana.

A representação questionava a origem dos recursos que financiaram os deslocamentos do parlamentar durante a campanha eleitoral de 2022, quando Nikolas cumpria agendas em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O TCU, no entanto, argumentou que não existiam requisitos mínimos para justificar a abertura de investigação no âmbito da Corte.

O Tribunal também destacou que o caso se refere ao financiamento de campanha eleitoral, tema de competência da Justiça Eleitoral, e não do TCU. Por isso, determinou o envio da representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério Público Eleitoral (MPE). Após o arquivamento, o deputado divulgou a decisão em suas redes sociais, escrevendo: "Nada como um dia após o outro".

A informação sobre os voos de Nikolas no jatinho de Vorcaro foi revelada por reportagens que mostraram deslocamentos em pelo menos nove estados e no Distrito Federal durante dez dias do segundo turno das eleições presidenciais. A aeronave foi utilizada pela caravana liderada por Nikolas e pelo pastor Guilherme Batista, ligado à Igreja Lagoinha, com o objetivo de angariar votos em regiões onde Lula havia obtido maioria no primeiro turno.

Sobre o caso, Nikolas afirmou: "Há literalmente quatro anos, fui convidado para participar de um evento chamado Juventude pelo Brasil e quem fez a logística, que eu não fiz, contratou uma empresa, que eu não contratei, para poder fazer o transporte. Ou seja, era de uma empresa que tinha vários sócios, e um deles era o Vorcaro". O deputado ainda questionou: "A narrativa de agora é que eu sou responsável por um ato futuro de alguém? Caramba, como eu vou prever isso?"