Poder e Governo

Haddad classifica decisões do Congresso sobre Messias e PL da Dosimetria como retrocesso no combate à corrupção

Pré-candidato ao governo de São Paulo, ex-ministro de Lula evita citar casos específicos e diz que ouviu analistas apontarem 'grande acordo em torno da impunidade'.

Agência O Globo - 01/05/2026
Haddad classifica decisões do Congresso sobre Messias e PL da Dosimetria como retrocesso no combate à corrupção
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad - Foto: Reprodução / Instagram

O ex-ministro Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, afirmou nesta sexta-feira (1º) que as recentes decisões do Congresso Nacional — a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto ao PL da Dosimetria — representam uma "derrota no combate à corrupção".

Haddad evitou mencionar diretamente investigações sobre políticos envolvidos no escândalo do Banco Master, mas destacou avaliações de analistas políticos que sugerem a existência de um acordo para favorecer a impunidade. Segundo ele, a rejeição ao advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF, e a aprovação do projeto que reduz penas dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, refletem esse movimento.

“Eu acredito, sou da opinião de que essa derrota no Congresso foi uma derrota do combate à corrupção. Compartilho com analistas que tenho lido nos jornais, que apontam que por trás dessas decisões há uma pretensão de um grande acordo em torno da impunidade de responsáveis por escândalos recentes no Brasil. Isso não sou eu que estou dizendo, é o próprio noticiário da imprensa séria. Lamento se isso de fato aconteceu, porque precisamos passar a limpo determinados escândalos, sobretudo os que ganharam a esfera pública pela escala e desfaçatez dos envolvidos. O que as pessoas deste país desejam é que todas as responsabilidades sejam apuradas até o fim. Portanto, essa suposta derrota da indicação ao Supremo é, na verdade, uma derrota de todos nós”, declarou Haddad a jornalistas.

A declaração foi dada durante evento na sede da Força Sindical, em São Paulo, em comemoração ao 1º de Maio. Também participaram as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), ambas pré-candidatas ao Senado. Neste ano, as centrais sindicais optaram por realizar eventos menores em suas sedes, em vez de grandes atos conjuntos.

O deputado federal Paulo Pereira da Silva (Solidariedade), conhecido como Paulinho da Força e relator do PL da Dosimetria na Câmara, foi citado durante o evento, porém não compareceu. No momento da fala de Simone Tebet, um manifestante circulou pelo auditório com um cartaz criticando o papel de Paulinho na tramitação do projeto.

Antes de conversar com a imprensa, Haddad discursou por cerca de dez minutos para os trabalhadores presentes, fez um balanço da gestão Lula e criticou o governo anterior, de Jair Bolsonaro.

Questionado sobre a montagem da chapa em São Paulo, que envolve disputa entre Marina Silva e Márcio França pela vaga ao Senado, Haddad afirmou: “Somos todos pré-candidatos neste momento, então vamos conversar e chegar a um denominador comum. São quatro ex-ministros do presidente Lula aqui em São Paulo, cada um com sua visão de mundo, mas convergentes. Todos são ficha limpa, com serviços prestados ao país e compromisso com ética na política. Não existe imposição, cada um tem direito às suas pretensões, que precisam ser respeitadas. Vamos considerar tudo isso e chegar a um acordo nas próximas semanas, sem atropelos”.

Após o evento no centro de São Paulo, Haddad seguiu com agenda no 1º de Maio em um sindicato do ABC paulista.