Poder e Governo

Derrota histórica de Messias no STF expõe racha e provoca troca de acusações entre aliados

De traição à omissão, ataques se multiplicam nos bastidores após rejeição de indicado ao Supremo

Agência O Globo - 01/05/2026
Derrota histórica de Messias no STF expõe racha e provoca troca de acusações entre aliados
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

A rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeou uma crise sem precedentes no governo federal. A derrota histórica, considerada a mais grave do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, provocou uma série de acusações e trocas de farpas entre integrantes do governo e aliados ao longo de toda a quinta-feira. Os ataques, que foram de traição à omissão, se espalharam pelos bastidores do poder.

No centro da discórdia está o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), criticado por não ter alertado Lula sobre a articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), contra Messias. Também recaem críticas sobre o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, acusado de não atuar para barrar a votação diante do risco de derrota, e sobre o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, que, mesmo com boa relação no Supremo, não teria agido para conter a rejeição ao indicado.

Aliados do governo apontam ainda dificuldades do presidente e de seu núcleo mais próximo em interpretar corretamente o cenário político e os interesses que motivaram os senadores.

A votação secreta alimentou suspeitas de traição, inclusive entre aliados históricos, como os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Renan Filho (MDB-AL) e Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Todos negam envolvimento e asseguram ter votado a favor de Messias no plenário.

Com o clima de tensão e acusações mútuas, o governo ainda não definiu como irá reagir à crise. Até o fim do dia, não havia decisão sobre a apresentação de um novo nome para o Supremo, nem sobre o momento dessa possível indicação.