Poder e Governo
Líder do MDB nega ação contra Messias e acusa governo de buscar 'bode expiatório'
Eduardo Braga afirma ter apoiado Messias ao STF e critica tentativa de responsabilizar bancada pela derrota
O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), negou nesta quinta-feira que a bancada do partido tenha atuado contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota, o senador classificou as versões como "intriga" e "maledicência", afirmando que o governo tenta transferir responsabilidades pela derrota.
— Aqueles que deveriam aprender com os erros estão afastando aliados ao tentar criar um “bode expiatório” para a situação — declarou Braga.
O senador também ressaltou que merece ao MDB a responsabilidade pelo resultado negativo representa um equívoco na leitura política.
— Atribuir essa resistência ao MDB é um erro estratégico de articulação — afirmou.
Braga elevou o tom ao criticar a condução do governo após a votação, destacando que, se as acusações partirem de interlocutores do próprio Planalto, o movimento "excede os limites da razoabilidade". O líder emedebista disse ter mantido o diálogo constante com os integrantes da bancada e que as sinalizações internas eram projetadas à indicação de Messias.
— Mantivemos diálogo permanente com todos os membros da bancada, e as sinalizações foram detalhadas à indicação — reforçou.
O senador reafirmou o compromisso do MDB com a base aliada, mas fez um alerta sobre a condução da relação política:
— O MDB segue comprometido com a estabilidade institucional e com a unidade da base, desde que haja lealdade entre as partes.
A ocorrência ocorre em meio à avaliação, dentro do governo, de que a derrota de Messias foi resultado de uma articulação política conduzida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com apoio de partidos de base, como MDB e PP. Após o voto secreto, o governo iniciou, ainda na noite da derrota, um esforço para mapear a origem das dissidências. Ministros e articuladores passaram a cruzar relatos e comportamentos para identificar possíveis mudanças de posição.
Segundo membros da cúpula do Congresso, o movimento teria sido construído de forma progressiva nos dias anteriores à votação e ganhou força na véspera da sabatina, após vir a público um encontro reservado entre Alcolumbre e Messias. A divulgação, interpretada como sinal de apoio ao indicado, teria irritado o presidente do Senado, que intensificou contatos com parlamentares.
No dia da votação, enquanto Messias era sabatinado, Alcolumbre teria ampliado a articulação, realizando ligações e conversas reservadas ao longo da sessão. O governo demorou a reagir e chegou a tentar um encontro com o senador para conter o movimento, mas a reunião não se concretizou.
No PP, interlocutores do Planalto afirmaram que a virada ocorreu nas horas finais, quando Alcolumbre passou a atuar diretamente sobre parlamentares da sigla e consolidou a maior parte da bancada. O movimento incluiu o senador Ciro Nogueira, que havia declarado apoio ao indicado, mas reuniu-se ao lado do presidente do Senado durante praticamente toda a sessão — gesto interpretado como integração à articulação.
No caso do MDB, a leitura no governo é de que uma movimentação eco ocorreu em uma dissidência interna da bancada. Integrantes do Planalto avaliam que parte do grupo atuou de forma coordenada para esvaziar o apoio a Messias, explorando insatisfações com a escolha feita por Lula e interesses cruzados na disputa pela vaga no Supremo.
Até ao início da noite, os aliados ainda trabalharam com a expectativa de aprovação, baseada numa contagem segura. Com o avanço da articulação conjunta, esse cenário se desfez rapidamente. Após o resultado, os governantes passaram a considerar fragilidades na estratégia, especialmente a ausência de uma margem mais confortável.
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