Poder e Governo
Derrota de Messias revela nova tensão entre grupos do STF
Ministros apontam falta de articulação e avaliam que resultado pressiona Fachin a buscar maior unidade na Corte
A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma nova frente de tensão interna entre ministros e evidenciou divergências de atuação entre diferentes grupos da Corte. A avaliação predominante entre integrantes do tribunal é que o resultado da votação no Senado foi um recado político ao STF, acendendo um alerta sobre a falta de articulação conjunta em momentos sensíveis para a instituição.
De um lado, ministros mais próximos ao presidente Edson Fachin, como André Mendonça, atuaram diretamente em defesa de Messias. Do outro, o grupo alinhado em julgamentos recentes — com nomes como Alexandre de Moraes e Flávio Dino — demonstrou postura mais distante, sem o mesmo empenho para apoiar a indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante a sabatina, Messias buscou se aproximar de pautas caras à presidência do STF, defendendo, por exemplo, a criação de um código de conduta para ministros — uma das principais bandeiras de Fachin, mas que enfrenta resistências da ala ligada a Moraes.
Apesar da expectativa de que Messias, caso aprovado, se somasse a esse grupo, Fachin preferiu manter distância das articulações políticas pela aprovação no Senado.
Em avaliações reservadas, ministros reconhecem que a ausência de um esforço coordenado escancarou fissuras internas e contribuiu para o desfecho negativo.
Para integrantes da Corte, a derrota impacta diretamente o próprio presidente do Supremo. O entendimento é de que o episódio aumenta a pressão para que Fachin adote uma estratégia mais clara de recomposição interna e de construção de consensos com os demais ministros.
Na mesma linha, outro interlocutor do STF avalia que a situação deve ser um ponto de inflexão na condução política do tribunal. Segundo ele, a falta de alinhamento em torno de uma indicação relevante foi interpretada como sinal de fragilidade institucional.
A percepção predominante é de que, diante desse cenário, Fachin será cobrado a atuar de forma mais ativa para reduzir ruídos internos e evitar que novas divisões resultem em derrotas externas, especialmente em um contexto de desgaste e disputas recentes entre ministros.
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