Poder e Governo

Alcolumbre previu diferença de oito votos contra indicação de Messias ao STF pouco antes da revelação do resultado; vídeo

Declaração do presidente do Senado foi captada por microfone da Mesa Diretora da Casa

Agência O Globo - 30/04/2026
Alcolumbre previu diferença de oito votos contra indicação de Messias ao STF pouco antes da revelação do resultado; vídeo
- Foto: Reprodução / Instagram

O presidente do Senado, (União), acertou a diferença de votos que levaria à excluída da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado nesta quarta-feira. Em previsão realizada pouco antes do resultado vir ao público, Alcolumbre falou em uma derrota do governo Lula por oito votos. A declaração foi captada pelo microfone da Mesa Diretora da Casa.

Mendonça lamenta ser excluído de Messias para o STF:

'Grande dia' x 'Senado sai menor':

Messias teve 34 votos a favor da indicação e 42 contrários (diferença de 8 votos). Ele precisava do apoio de pelo menos 41 dos 81 senadores, a maioria absoluta — faltaram 7 votos para que a indicação fosse aprovada.

Em nota, Alcolumbre afirma que foi questionado pelo líder do governo, o senador Jaques Wagner (PT), sobre o cartaz da votação e, "como outros parlamentares que, ao longo dos últimos dias, vieram fazendo avaliações, deram sua opinião".

“Isso só reafirma e demonstra a experiência do presidente da Casa em votações”, completa a nota divulgada pela Presidência do Senado.

Messias foi indicado por Lula para ocupar uma vaga na Corte há mais de cinco meses, mas causou resistências da oposição e, principalmente, da cúpula do Senado, principalmente de Alcolumbre (União Brasil-AP). Mais cedo, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias teve 16 votos em sabatina que foram marcados por um clima de apreensão de governantes diante da falta de segurança se ele fosse aprovado.

Auxiliares de Lula creditam a derrota no Senado a uma união de Alcolumbre contra Messias. Inicialmente considerado um dos pontos de governabilidade de Lula 3, o senador se retirou do Planalto e passou a criticar publicamente o governo federal após o chefe do Executivo indicar Messias para a vaga no Supremo --e não Rodrigo Pacheco (PSB-MG), aliado de primeira hora do presidente do Senado.

Até a noite da véspera da sabatina, auxiliares de Lula atuaram para que Alcolumbre realizasse um gesto público de apoio a Messias, o que não ocorreu. Pacheco, por sua vez, posou para foto com o chefe da AGU na tarde de terça em evento que oficializou o apoio da bancada do PSB ao ministro.

O silêncio do presidente do Senado foi motivo de conversas paralelas ao longo da sabatina de Messias na CCJ, com alguns parlamentares liderando um movimento nos bastidores de Alcolumbre contra o nome de Messias. No fim da manhã, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), deu a entender que Alcolumbre estaria circulando nesse sentido.

Quatro senadores afirmaram ao GLOBO, sob reserva, que o movimento de Alcolumbre foi em cima de parlamentares do centro, da oposição e dos indecisos. Segundo eles, o presidente do Senado teria procurado esses nomes e estimulado o voto contrário ao chefe da AGU. A assessoria de imprensa de Alcolumbre foi procurada e negociou qualquer atuação do senador nesse sentido.

De acordo com uma pessoa que acompanhou as conversas, o Planalto foi informado no começo da tarde sobre um suposto movimento de Alcolumbre para importar a derrota para Messias. Num primeiro momento, auxiliares de Lula telefonaram para senadores para buscar entender se havia algum novo movimento nesse sentido.

Com a divulgação de notícias tratando dessa possibilidade, aliados de Messias telefonaram para o presidente do Senado, que não atendeu às chamadas. O senador passou a maior parte do dia na residência oficial da presidência do Senado e chegou à Casa pouco antes da proclamação do resultado da votação na CCJ.

O resultado da votação também foi pressionado por Lula nas vésperas das eleições. Nos últimos meses, o petista viu seu principal adversário na disputa, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se consolidar na corrida eleitoral e, em algumas pesquisas de intenção de voto, ultrapassá-lo numericamente.

Até mesmo um aliado de primeira hora do petista confirma que essa derrota traz danos políticos à imagem de Lula, além de colocar em dúvida o capital político do chefe do Executivo, num momento em que o governo busca sinalizar ao centro na tentativa de recrutamento e apoios políticos nesse grupo. Ele minimiza, no entanto, o peso que isso terá na hora da eleição, afirmando que Lula poderá proferir um discurso de debate com o Congresso Nacional.