Poder e Governo
Genial/Quaest: Rui Costa e Jaques Wagner, do PT, lideram corrida ao Senado na Bahia
Aliados de Lula e Jerônimo aparecem à frente da disputa pelas duas vagas na Casa legislativa em relação a nomes da chapa da oposição, ligada a ACM Neto
Pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que os pré-candidatos do PT — o ex-ministro da Casa Civil e o líder do governo no Senado — lideraram a corrida pelas duas vagas de senador no estado. No levantamento combinado de primeiro e segundo votos, os correligionários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador e pré-candidato à reeleição, somam 24% e 22% das intenções, respectivamente.
Em terceiro lugar, vem (PL), membro da chapa do pré-candidato ao governo (União). O ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro tem 9% das intenções de voto no momento, de acordo com o levantamento. Já o senador Angelo Coronel (Republicanos), antigo membro da base do governo Jerônimo e que também fechou aliança com o ex-prefeito de Salvador este ano, marca 6% e fica em quarto lugar.
Votos em branco, nulos e a intenção de não ir votar registraram proporção relevante do eleitorado baiano: 22%, na combinação dos dois votos. Ainda segundo a Quaest, os indecisos são de 16%, por agora.
Veja os números completos:
A pesquisa Genial/Quaest reuniu 1.200 participantes da Bahia entre 23 e 27 de abril. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança, de 95%. A pesquisa foi registrada junto à Justiça Eleitoral sob o número BA-03657/2026.
Segundo a pesquisa, Rui Costa tem apoio sobretudo de lulistas (39% das pessoas que assim definem o seu posicionamento político), de esquerdistas não lulistas (33%) e de independentes (20%). O ex-ministro é opção de 9% dos eleitores da direita não bolsonarista e de 13% dos bolsonaristas. Já Jaques Wagner é impulsionado pelos mesmos três segmentos (34%, 30% e 17%, respectivamente) e soma 9% e 8% entre direitistas e bolsonaristas.
Ex-membro do governo Bolsonaro, João Roma tem apoio de apenas 6% dos independentes, mas vai melhor que os adversários no espectro da direita (26%) e do bolsonarismo (23%). O colega de chapa Angelo Coronel está ao seu lado no momento 5% dos independentes; 16% dos direitistas; e 15% dos bolsonaristas.
Os mais indecisos, numericamente, são os independentes (19%). Estes também registraram alta proporção entre aqueles que apontaram voto em branco, voto nulo ou a intenção de não votar (32%), superados apenas, nestas hipóteses de "não voto", pelos bolsonaristas (33%).
Ainda de acordo com a Genial/Quaest, Rui Costa tem a maior proporção de candidatos que o conheceram e votaram nele, 47%, seguido por Wagner (39%). Os petistas, por outro lado, são também os que registaram maior “rejeição” (38% e 39% dos entrevistados afirmaram conhecê-los, respectivamente, mas indicaram que não os apoiariam nas urnas).
Neste aspecto, os integrantes da chapa de ACM Neto têm o desafio de serem mais conhecidos pelo eleitorado da Bahia. Seis em cada dez entrevistados disseram desconhecer João Roma (64%) e Angelo Coronel (68%). Os dois são conhecidos, mas “rejeitados”, por 25% e 24%.
Disputa na Bahia
A aposta do PT nas candidaturas ao Senado de Rui Costa e Jaques Wagner selou a saída de Angelo Coronel da base da gestão petista. O senador deixou o PSD em fevereiro após perder espaço na montagem da chapa majoritária de Jerônimo de 2026.
A saída do Coronel do PSD ocorreu após tentativa do senador de reverter internamente a situação na legenda durante reuniões com o presidente estadual Otto Alencar e o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab.
Já João Roma foi ministro da Cidadania no governo Bolsonaro e é presidente estadual do PL. A entrada dele no palanque de ACM abriu a possibilidade de um apoio ao postulante ao governo estadual à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto na Bahia.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro vem encontrando dificuldade em formar palanques no Nordeste e, em anotações durante reuniões na sede da sigla, manifestou interesse na composição na Bahia. No registro, o ex-prefeito de Salvador aparece como opção na disputa para o governo estadual, com uma anotação feita à mão ao lado: “Conversar 1º / depois tratamos do palanque completo”.
No entanto, a sinalização de apoio de ACM a Ronaldo Caiado (PSD) na corrida pela Presidência gerou crise no PL local. Embora a chapa do ex-prefeito seja composta pelo presidente estadual da legenda, João Roma, os deputados do partido ameaçaram não apoiar ACM para garantir um palanque para Flávio.
No mês passado, ACM Neto diante da longa relação de dados entre eles, mas afirmou que ainda vai ouvir o União Brasil. A declaração apresentada após o ex-governador de Goiás anunciou que também pretende estar com o baiano na eleição deste ano.
Caso Master
O caso do banco Master também deve impactar a corrida eleitoral na Bahia. Como mostrado no GLOBO, os grupos políticos de ACM Neto e de Jaques Wagner.
Tanto o ex-prefeito como o senador tiveram nas últimas semanas os seus nomes vinculados ao caso. O GLOBO revelou, com base em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora de recursos Reag. Os valores foram repassados logo após as eleições de 2022, entre março de 2023 e maio de 2024. ACM Neto afirmou que os valores são referentes a serviços de consultoria e se colocaram à disposição para prestar esclarecimentos à Justiça.
Depois, o portal Metrópoles mostrou que a nora de Jaques Wagner recebeu pelo menos R$ 11 milhões do Master. O valor foi pago à empresa BK Financeira, que tem como sócia Bonnie Toaldo Bonilha, casada com um enteado do senador. O contrato foi firmado em 2021. Em nota, o senador disse que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa mencionada”.
No caso do PT, há ainda as relações do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Master, com figuras do partido, como o ex-ministro Rui Costa (Casa Civil). Quando era governador do estado, Costa privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo, arrematada em 2018 por Lima.
Lima deixou o Master em 2023 e levou consigo um dos ativos incluídos no leilão promovido pela gestão de Rui Costa, o Credcesta, cartão de crédito consignado para servidores e aposentados.
O ministro incluiu o Credcesta no terceiro leilão da Ebal, após duas tentativas mal sucedidas de venda da empresa de iniciativa privada. Com o Credcesta, a compra passou a ser vantajosa. Em fevereiro, Costa defendeu a decisão que tomou quando era governador e argumentou que a operação de cartão de crédito consignado foi o que viabilizou o negócio.
Depois das revelações, aliados tanto de Jaques Wagner como de ACM Neto conversaram e concluíram que a exploração do caso Master não seria benéfica para nenhum dos lados e decidiram selar o pacto de não agressão em cima desse tema. Procurados para comentar o acordo à época da reportagem, ACM Neto e Wagner não se manifestaram.
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