Poder e Governo
Após destaque nas redes sociais, Zema adia contato direto para ampliar visibilidade nacional
Estratégia prioriza alcance nacional após polêmica com o STF; aliados avaliam que efeitos eleitorais devem surgir mais adiante
Apesar do recente aumento de visibilidade nas redes sociais, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), decidiu adiar agendas de corpo a corpo com eleições para concentrar esforços em ampliar seu reconhecimento por meio de plataformas de maior alcance nacional. Aliados avaliaram que, antes de buscar votos, o pré-candidato precisa se tornar mais conhecido e que os efeitos da exposição recente só deverão ser percebidos nas pesquisas posteriormente.
A estratégia foi definida após a repercussão do episódio envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que solicita a inclusão de Zema no inquérito das fake news.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda não se manifestou sobre o caso, mas a polêmica proporcionou projeção inédita ao presidente mineiro, que conquistou mais de 100 mil seguidores em menos de 24 horas no auge do episódio.
Em conversas reservadas, membros da campanha confirmaram que, até pouco tempo, a própria candidatura era vista com ceticismo, inclusive dentro do partido. Durante uma visita à região Sul no início do mês, por exemplo, interlocutores relataram resistência até mesmo de quadros locais, que não enxergavam o projeto presidencial como algo concreto.
Esse cenário começou a se transformar com uma recente exposição impulsionada pelos atritos com o Supremo. O aumento da visibilidade e da participação mais frequente no debate político nacional reposicionou Zema como um potencial competitivo no campo da direita.
Diante disso, a estratégia definida é adiar, por agora, agendas intensivas de viagens e contato direto com concorrentes, priorizando a participação em eventos políticos, como a Agrishow, feira do agronegócio no interior de São Paulo, onde Zema esteve nesta semana e voltou a criticar o STF e os chamados "intocáveis".
A aposta é concentrar esforços em redes sociais e entrevistas em plataformas como podcasts. A avaliação é de que, apenas em um segundo momento, com o nome mais consolidado, fará sentido percorrer os estados em busca da conversão de votos. Até lá, será realizado um diagnóstico mais detalhado sobre onde o presidente deve investir mais esforço e presença.
Apesar do avanço nas redes, o crescimento ainda não se refletiu nas pesquisas de intenção de voto. A leitura entre aliados é que esse avanço ainda não foi captado pelos levantamentos e, mais do que isso, que o impacto não deve aparecer de forma imediata.
O diagnóstico interno aponta que Zema ainda enfrenta um problema central: o baixo nível de conhecimento entre o eleitorado.
Nesse processo, a campanha considera ter encontrado um eixo de comunicação capaz de contribuir para a visibilidade, com o discurso contra os chamados "intocáveis". Segundo aliados, a expressão não se restringe ao Supremo, embora tenha ganhado força após o debate recente.
Na definição adotada internamente, os "intocáveis" são uma espécie de casta formada por políticos, empresários e agentes públicos que vivem de privilégios ou de esquemas e que, na visão da campanha, se mantêm protegidos de investigações e punições.
O conceito combina a ideia de poder permanente com a percepção de impunidade, ou seja, grupos que, mesmo diante de denúncias, permanecem fora do alcance das instituições.
A escolha dessa narrativa atende a dois objetivos: dialogar com a insatisfação difusa de parte do eleitorado com corrupção e privilégios, e posicionar Zema como alguém disposto a confrontar estruturas consolidadas e defender temas considerados 'tabu', como a privatização de estatais, sem se limitar a adversários específicos.
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