Poder e Governo

Lula aposta em pronunciamento e anuncia medidas contra endividamento no 1º de Maio

Em 2024, presidente reclamou de evento com pouco público em São Paulo

Agência O Globo - 28/04/2026
Lula aposta em pronunciamento e anuncia medidas contra endividamento no 1º de Maio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert / PR

Com receio de que os atos do 1º de Maio sejam esvaziados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve comparecer a eventos públicos nesta sexta-feira. Em ano eleitoral, a estratégia do petista será um pronunciamento em rádio e televisão, no qual está previsto o anúncio de um pacote de medidas voltadas para conter o endividamento das famílias.

No ano passado, Lula também se ausentou das celebrações presenciais do Dia do Trabalho. Em 2024, o presidente participou de um evento unificado das centrais sindicais em frente ao estádio do Corinthians, na Zona Leste de São Paulo, e chegou a reclamar da baixa presença de público. Segundo o Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP, pouco mais de 1,6 mil pessoas estiveram no local.

Neste ano, em que Lula pretende disputar a reeleição, a participação em um novo ato com público reduzido poderia gerar repercussão política negativa. As centrais sindicais, por sua vez, romperam a tradição recente e não realizarão um evento unificado.

Lula esteve em ato unificado de 1º de Maio em 2023, no início de seu terceiro mandato. Já em 2022, quando era pré-candidato à Presidência, também marcou presença em evento das centrais sindicais na capital paulista.

Agora, a Força Sindical orientou seus sindicatos a promoverem atos locais e descentralizados. Diante desse cenário, a expectativa é que o principal evento do 1º de Maio aconteça em São Bernardo do Campo, promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, entidade filiada à CUT e presidida por Lula nos anos 1970.

No pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, Lula deve defender o fim da escala 6 x 1 e anunciar os principais pontos do pacote contra o endividamento. O detalhamento das medidas está previsto para a próxima segunda-feira.

Entre as ações, o programa deverá permitir a troca de dívidas em atraso no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia por um novo contrato, com taxas limitadas a 1,99% ao mês. A proposta é beneficiar pessoas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos. Os descontos devem variar de 40% a 90%, dependendo do tempo da dívida.

A renegociação ficará aberta por 90 dias após o lançamento, e o cliente terá até quatro anos para quitar o novo débito. A expectativa é que haja carência de um mês para o pagamento da primeira parcela, momento em que deverá ocorrer a "limpeza do nome" do cliente nos cadastros de inadimplência.

O uso do FGTS será permitido até o limite de 20% do saldo, exclusivamente para a quitação da dívida.