Poder e Governo
Moraes acusa políticos sem voto de usar STF como 'escada eleitoral' e critica agressões verbais
Ministro afirma que atos 'ofendem a inteligência do eleitorado'
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou duramente a postura de política que, segundo ele, utiliza o Judiciário e os ministros da Corte como “escada eleitoral”. Para Moraes, os parlamentares vêm instrumentalizando xingamentos e agressões verbais como estratégia de campanha, prática que também atinge o próprio STF.
— Esses políticos querem pegar uma escada em uma suposta polarização contra o Supremo Tribunal Federal, não com críticas, mas com agressões verbais — afirmou Moraes durante o julgamento de uma denúncia-crime apresentada pelo deputado Gustavo Gayer (PL) contra José Nelto (União), por supostos crimes de calúnia e injúria.
Segundo o ministro, o mais grave não é uma ofensa ao Judiciário, mas sim uma "ofensa à inteligência do eleitorado". Moraes avaliou que o eleitor “não quer essa história coletiva de ofensas”.
O magistrado também classificou os ataques como “xingamentos históricos de políticos que pretendem usar instituições como escada eleitoral”. Para ele, nenhum dos deputados envolvidos no julgamento realmente se sentiu ofendido, e o acionamento do STF seria apenas um “jogo de cena”. Moraes chegou a comparar as ofensas trocadas entre os parlamentares a "conversa de machão de bar", satirizando ainda o "debate de alto nível" entre eles ao citar frases dos políticos como "coisa de criança" e de "quinta série".
O presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino, endossou as críticas dos colegas, demonstrando perplexidade diante da ideia de que alguns políticos acreditam estar "amealhando votos" ao atacar o STF.
— É algo inusitado no concerto das nações. Acho que no mundo ninguém nunca imaginou algo desse tipo — declarou Dino, acrescentando que as ofensas aos ministros em podcasts configuram "deslealdade institucional", já que os membros do STF não podem participar desse tipo de "papo de garagem": — Além de tudo é covardia institucional.
Durante o julgamento, o ministro Cristiano Zanin acompanhou Moraes no voto pela excluída da denúncia-crime de Gayer. Já a ministra Cármen Lúcia votou por abrir processo penal contra José Nelto por calúnia e injúria, enquanto Flávio Dino defendeu a obtenção da denúncia apenas pelo crime de calúnia. Diante do empate, o caso acabou rejeitado.
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