Poder e Governo
PF mira em R$ 50 bi em patrimônio de Vorcaro para cobrir rombo do Master e calcula valor de jatinhos, carros de luxo, embarcações e joias
Investigadores rastreiam recursos e aguardam novas informações sobre bens em delação; defesa do banqueiro não se manifesta
Investigadores que atuam no caso Master têm rastreado bens e ativos do banqueiro Daniel Vorcaro no Brasil e no exterior e miram na recuperação de ao menos R$ 50 bilhões para cobrir o rombo deixado pelas fraudes no banco. Os valores poderão ser destinados ao ressarcimento de pessoas físicas, instituições financeiras, empresas e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Auditoria:
Malu Gaspar:
O montante é uma estimativa do prejuízo. Na atual fase da investigação, já foram apreendidos ou bloqueados bens como carros de luxo, aeronaves, joias e obras de arte que ainda estão sendo analisados. Também foram rastreadas contas bancárias e fundos ligados ao banqueiro. Procurada, a defesa de Vorcaro disse que não iria se manifestar.
A expectativa é que ele aponte ativos ainda não localizados, sobretudo no exterior, para consolidar o processo de delação. Polícia Federal (PF) e Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliam que, ao entregar os anexos, não basta indicar bens já rastreados.
O entendimento é que, por ter gerenciado o suposto esquema, Vorcaro detém informações sobre a localização de mais valores, como offshores. Ele é suspeito de operar um esquema de criação e negociação de títulos de crédito falsos. O caso veio à tona durante as negociações para a venda da instituição ao BRB. Diante do agravamento da situação, o Banco Central decretou a liquidação do Master, em novembro do ano passado.
A entrega de patrimônio ainda desconhecido é tratada como ponto central nas negociações. Na prática, uma eventual redução de pena dependerá da capacidade de indicar caminhos para recuperar esses recursos. Investigadores sustentam ainda que a recomposição do FGC precisa entrar nessa conta, além da multa pelos supostos crimes, que ainda vai ser calculada. Estimativas apontam que o fundo deve arcar com cerca de R$ 40,6 bilhões para clientes do Master que estavam cobertos pelas garantias, além de R$ 6,3 bilhões relativos ao Will Bank, integrante do conglomerado.
A defesa, no entanto, avalia outros caminhos. A coluna de Malu Gaspar, do GLOBO, mostrou na semana passada que Vorcaro deve oferecer um ressarcimento bilionário para o rombo das previdências estaduais e municipais, mas que ele tem sinalizado que não pretende desembolsar recursos para o Banco de Brasília (BRB) e o FGC. Só a Rioprevidência, do governo do Rio, por exemplo, aportou R$ 1 bilhão em letras financeiras emitidas pelo Master após alertas. A Previdência do Amapá aplicou R$ 400 milhões no banco.
A lei que regula a colaboração premiada aponta que o juiz poderá "conceder o perdão judicial, reduzir em até 2/3 (dois terços) a pena privativa de liberdade ou substituí-la por restritiva de direitos daquele que tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e com o processo criminal", desde que a colaboração tenha algum resultado listado na lei, um deles é a recuperação total ou parcial do produto das infrações.
Patrimônio declarado de R$ 2,6 bi
A proposta de delação, no entanto, ainda não foi apresentada às autoridades. A avaliação é que, quanto mais Vorcaro demora a apresentar os anexos, maior é a expectativa de que o conteúdo revele elementos além do que já foi identificado. A recuperação do prejuízo é considerada pelos investigadores condição essencial para qualquer avanço.
Dados obtidos pela CPI do INSS mostram uma parcela dos bens de Vorcaro. A declaração de Imposto de Renda indica que o o patrimônio passou de R$ 1,4 bilhão em 2023 para R$ 2,6 bilhões em 2024 — alta de 86,7%, equivalente a mais de R$ 1,2 bilhão em 12 meses. Em 2024, ele teve uma renda total de R$ 570 milhões, conforme a declaração.
Entre os bens declarados, constam R$ 47 milhões em relógios e obras de arte, além de R$ 250 mil em dinheiro em espécie.
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