Poder e Governo

Evento do agro com Flávio e Tarcísio tem críticas a Lula, gritos de ‘presidente’ e ‘selfies’ em trator

Governador de São Paulo e filho do ex-presidente participaram da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), nesta segunda-feira

Agência O Globo - 27/04/2026
Evento do agro com Flávio e Tarcísio tem críticas a Lula, gritos de ‘presidente’ e ‘selfies’ em trator
Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas - Foto: Reprodução / Instagram

O senador (PL-RJ) e o governador de São Paulo, (Republicanos), , em Ribeirão Preto (SP), primeira agenda pública conjunta dos dois na pré-campanha. Eles fizeram discursos críticos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e promessas ao setor, além de caminharem pela feira juntos por mais de duas horas, com direito a fotos em tratores e colheitadeiras, enquanto Flávio ouvia gritos de “presidente” e “fora Lula”.

Os aliados chegaram juntos à feira, por volta das 10h. Flávio acenou ao segmento rural desde sua vestimenta: trajava uma camiseta com a frase "orgulho do nosso agro". Tarcísio, por sua vez, aproveitou o evento para lançar o espaço do Governo de São Paulo na feira, onde também marcará presença nesta terça (28), dessa vez para anunciar investimentos para o agronegócio do estado.

Flávio, Tarcísio e outros políticos da direita, como o deputado estadual André do Prado (PL), cotado para o Senado, e o deputado federal Pedro Lupion (Republicanos), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), fizeram discursos críticos ao governo federal.

As queixas foram centradas na alta taxa de juros e na baixa oferta de crédito público para os produtores, especialmente os pequenos. Outro ponto destacado por deputados, senadores e prefeitos foram as invasões de terras, em contraponto entre a política linha-dura adotada pela polícia de Tarcísio em São Paulo e a relação do governo federal com grupos que promovem ocupações.

Também houve críticas contundentes aos anúncios . O vice representou Lula na feira, como em outros anos, e anunciou um crédito de R$ 10 bilhões para a compra de tratores, pulverizadores, colheitadeiras e outros equipamentos. A promessa é liberar o crédito por meio de cooperativas e instituições financeiras credenciadas, com expectativa de juros na casa de um dígito. A nova linha deve começar a operar entre 20 e 30 dias, mas ainda não foram divulgados os detalhes como qual será a taxa de juros ou os critérios detalhados para o crédito.

A uma plateia cheia de representantes do agronegócio, especialmente presidentes de entidades da cana, da soja e do setor de maquinário agrícola, Flávio disse se comprometer, caso seja eleito presidente, com "todas as pautas" apresentadas ali e "valorizar o agro".

— O agro não pode ser tratado como vilão, o agro não é vilão, é solução para o nosso Brasil. É uma insanidade pisar tanto num setor como esse. O que nós vemos do atual presidente da República é o ódio, uma pessoa que passou pelo que passou, que se diz injustiçada, não aprendeu nada com a vida. Onde já se viu fazer um financiamento de R$ 10 bilhões para comprar maquinário só? Ele não entende que é um setor altamente endividado, produtores rurais que sofreram com seca e com enchente, que não têm capacidade de se endividar mais, que precisa de crédito com juros mais baixos? — disse.

Flávio disse que Lula “não tem sensibilidade” e “asfixia o agro”, citou pequenos e grandes produtores e elogiou as políticas de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), relacionadas à regularização fundiária. Ele também elogiou Tarcísio e disse que não teria “ninguém melhor para caminhar ao lado” do que o governador.

— Foram anos e anos sem botar um real de subvenção para o seguro do agro, agora ele bota bilhão e mesmo assim ninguém sabe como, quando, de onde vem, qual os juros. É um programa fantasma, que não resolve a vida de ninguém. É um governo que só se preocupa em colocar narrativas e não se preocupa com a vida das pessoas, como era o governo Bolsonaro — acrescentou Flávio.

Ao discursar, Tarcísio se referiu a Flávio como "o próximo presidente da República", e disse que o agronegócio "vem sendo maltratado" pelo atual governo federal. O governador ainda disse ter acabado com as invasões de terra no estado, e citou medidas de sua gestão voltadas ao setor, como o programa de regularização fundiária.

— Esse agro que fica extremamente vulnerável às questões geopolíticas, e quanto mais a gente precisa de carinho, vem a incerteza e a insegurança. Todos os anos o agro tem que brigar por melhores condições no Plano Safra, por que a gente não consegue repetir os parâmetros? O que está acontecendo hoje, a gente está vendo o crédito cada vez mais caro e incerto, juros cada vez mais altos. E aí vem o governo e anuncia R$ 10 bilhões, e o próprio setor classifica isso como um não-anúncio. Qual vai ser os juros, as condições, quando é que vem? Temos hoje o produtor cada vez mais endividado, e em abril a gente ainda tem o aumento de carga tributária, a retirada de PIS/Cofins sobre os fertilizantes, o aumento da alíquota do Funrural, vem outra cacetada no lombo do produtor — falou.

Fotos, queijos e passeio pela feira

Após os discursos, Flávio e Tarcísio caminharam por boa parte da feira, visitaram estandes de fabricantes de maquinários agrícolas, onde posaram para selfies com uma multidão de admiradores que os seguiam. De pequenos e médios produtores agrícolas, até pecuaristas e diretores das fabricantes de veículos, os políticos foram tietados e recebidos com palmas, abraços e beijos, e gritos contra o atual presidente. Flávio foi abordado por alguns produtores rurais do Rio Grande do Sul, que lhe pediram para “salvar o Brasil”, e ouviu demandas de alguns por mais ofertas de créditos com juros mais baixos.

Em meio à poeira vermelha da feira, senador e governador caminharam, ora lado a lado, ora separados, por mais de duas horas e visitaram também uma área de produtos artesanais, onde comeram queijos, doces, pães e carnes curadas produzidas em diversas regiões de São Paulo.

Já passava das 15h30 quando a dupla saiu da feira. Os dois foram almoçar na casa de empresários do agronegócio, em uma fazenda em Ribeirão Preto. No fim da tarde, Flávio partiu em direção a Brasília, enquanto Tarcísio ficou na cidade para mais um dia de Agrishow. Nesta terça (28), o governador deve se encontrar com Romeu Zema (Novo), pré-candidato à presidência da República.

Maior feira do agronegócio do país, a Agrishow ocorre todos os anos em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e costuma receber políticos que tentam acenar ao agro, especialmente em anos eleitorais. Além de Flávio nesta segunda e Zema nesta terça, na quarta (29) Ronaldo Caiado (PSD) vai marcar presença no evento.

Tarcísio disse, em coletiva de imprensa, que esse foi “o primeiro evento de muitos” que vai realizar ao lado do filho de Jair Bolsonaro, e disse “acreditar no projeto” de Flávio. No próximo mês, o senador deve comparecer aos eventos de lançamento da pré-candidatura de Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado, que serão realizados nos dias 15 e 16 em Campinas e Sorocaba. Em junho, em mais uma aproximação com o agro, os dois devem comparecer à Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte).

— O Flávio representa um projeto que a gente acredita, um projeto que vai desonerar o setor produtivo, que vai eliminar a burocracia, que vai proporcionar crescimento, que vai proporcionar uma virada de chave. E é por isso que a gente vai ter muitos eventos aqui em São Paulo para fazer a diferença — falou.