Poder e Governo

Genial/Quaest: Paes lidera com folga em todos os cenários para o governo do Rio e venceria no 1º turno se eleição fosse hoje

Levantamento aponta que ex-prefeito do Rio superaria novo presidente da Alerj por 49% a 16% em eventual segundo turno

Agência O Globo - 27/04/2026
Genial/Quaest: Paes lidera com folga em todos os cenários para o governo do Rio e venceria no 1º turno se eleição fosse hoje
Eduardo Paes - Foto: Reprodução / Instagram

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) tem de 34% a 40% das intenções de voto nos cenários simulados de primeiro turno das eleições para o governo do Rio. Enquanto isso, o presidente da Assembleia Legislativa do estado (Alerj), Douglas Ruas (PL), com quem trava uma disputa pela máquina fluminense, aparece com no mínimo 9% e, no máximo, 11%. É o que mostra a pesquisa da Quaest divulgada nesta segunda-feira, encomendada pelo banco Genial — a primeira do instituto a medir o pulso dos eleitos para o pleito estadual de outubro.

Num eventual segundo turno, o aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o deputado apoiado pelo ex-governador Cláudio Castro (PL) e pelo pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) por 49% a 16%, indica a sondagem.

O levantamento reuniu 1.200 eleitores do Rio de Janeiro entre 21 e 25 de abril. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada junto à Justiça Eleitoral sob o número RJ-00613/2026.

Na pesquisa estimulada para o governo do Rio, 20% dos eleitores se declararam indecisos e outros 20% indicaram voto nulo, em branco ou disseram que não vão votar. A Quaest também simulou cenários de primeiro turno com a participação dos ex-governadores Anthony Garotinho (Republicanos) — cujas coberturas no âmbito da chamada Operação Chequinho, que apurou o uso de um programa social para suposta compra de votos em Campos dos Goytacazes, em 2016, foi anulada recentemente — e Wilson Witzel (DC). Eleito na esteira da onda bolsonarista em 2018, Witzel tornou-se o primeiro governador a sofrer impeachment no estado desde a ditadura militar, por seu suposto envolvimento em fraudes na compra de equipamentos e celebração de contratos durante a pandemia da Covid-19.

Sem Garotinho, Eduardo Paes chega a 40% das intenções de voto. Numa disputa sem os dois ex-governadores, o ex-prefeito soma 39% e Ruas, 11%. Veja abaixo os diferentes cenários:

Para 39% dos eleitores fluminenses, a escolha de voto para governador já é definitiva. No entanto, 59% indicam que ainda podem mudar de ideia caso algo aconteça.

Considerando o Cenário I, com todos os pré-candidatos à disposição do eleitor fluminense, Eduardo Paes tem 32% das intenções de voto entre as mulheres e 37%, entre os homens. Douglas Ruas soma 6% no eleitorado feminino e mais que o dobro disso, 13%, no masculino. Na segmentação por gênero, Garotinho aparece com 9% entre mulheres e 8% entre homens. De acordo com o levantamento, as eleitoras fluminenses estão mais indecisas que os participantes (25% a 13%). O percentual daqueles que pretendem votar nulo, em branco ou não ir às urnas é próximo: 19% e 20%.

Por faixa etária, Paes tem 36% das intenções de voto entre os mais jovens (16 a 34 anos) contra 6% de Ruas e 8% de Garotinho. Já no estrato de 35 a 59 anos, o ex-prefeito soma 33%, ante 10% do presidente da Alerj e 8% do ex-governador. Entre idosos, de 60 anos ou mais, o aliado de Lula tem 32%; o de Flávio Bolsonaro, 11%; e Garotinho, 10%.

Os dados mostram ainda que Paes e Ruas vão melhores entre eleições com Ensino Superior (39% e 14%, respectivamente) e com renda de mais de cinco meses mínimos (38% e 1%), enquanto Garotinho marca 5% nos dois segmentos. O ex-prefeito soma 29% entre os entrevistados com Ensino Fundamental e 33% entre os que ganham até dois estágios — o presidente da Alerj marca 7% entre os menos escolarizados e 6% entre os mais pobres; já o ex-governador, 12% e 11%.

De acordo com a Quaest, Paes liderou entre os católicos (38%) e entre os evangélicos (28%) em relação a Ruas (10% e 11%) e Garotinho (8% e 9%). Mas 19% dos católicos seguem indecisos, assim como 23% dos evangélicos.

Na segmentação por posicionamento político, Paes atrai 48% dos lulistas, 30% dos independentes e 25% dos bolsonaristas. Já Ruas é a escolha de momento de 1% dos lulistas, 5% dos independentes, mas emplaca principalmente entre os bolsonaristas (22%). Na disputa pelo voto dos eleitores de direita não bolsonarista, o ex-prefeito aparece à frente do presidente da Alerj: 26% a 21%.

Na sondagem divulgada, em que o entrevistado é instado a citar o nome de um político sem antes de ter as opções, Paes marca 8% ante 2% de Ruas. Neste caso, os indecisos são 87%.

Disputa de poder no Rio

Desde março, quando Cláudio Castro renunciou ao governo do Rio, na véspera do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou o abuso de poder político e econômico na campanha de 2022 e enfrentou o inelegível até 2030, os grupos políticos de Paes e Ruas travaram uma disputa relativa ao comando da máquina administrativa estadual. A renúncia em maio de 2025 do vice eleito, Thiago Pampolha, para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), e as declarações do então presidente afastado da Alerj Rodrigo Bacellar (União) consolidaram o vácuo de poder no Rio.

Ruas, que recebeu a chancela de partidos da base de Castro para sucedê-lo, busca assumir o quanto antes do posto do ex-governador, que ele daria recursos e exposição cruciais antes de serem testados nas urnas. A lista de atrativos à disposição do Palácio Guanabara inclui um cofre mais robusto da alta internacional do petróleo e a possibilidade de atrair apoio de prefeitos e parlamentares com inaugurações de obras, o que é permitido até o início de julho. Paes tenta evitar que o adversário acesse esses trunfos e pressione para que o eleitorado fluminense eleja diretamente um interino.

Na noite de quinta-feira, o TSE publicou o acórdão das revisões de Castro, mas deixou em aberto o modelo de escolha para o mandato-tampão. Na sexta, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, decidiu que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, deve continuar como governador do estado até a conclusão do julgamento no Supremo sobre o formato das eleições para o Executivo fluminense.

Na decisão, o magistrado afirmou que a eleição do deputado Douglas Ruas como presidente da Assembleia Legislativa do Rio não altera a decisão do STF de manter Couto como governador em exercício.

Conforme mostrado na coluna de Lauro Jardim, do GLOBO, o PSD protocolou nova ação no STF para rebater o pedido apresentado por Ruas para assumir interinamente a cadeira no Palácio Guanabara. O argumento do presidente da Alerj era que a permanência de Couto só se justificava pela ausência do chefe do Legislativo fluminense. A nova manifestação do grupo de Paes resgatou uma ofensiva judicial iniciada pelo seu partido, o PSD, ainda em março. Na ocasião, a sigla acionou o STF pedindo a suspensão do processo de eleição indireta e a convocação de voto popular.

Entenda a chance de Zanin

Zanin se manifestou no âmbito de uma ação protocolada pelo diretório estadual do PSD, partido do ex-prefeito Eduardo Paes, que deve enfrentar Ruas nas eleições de outubro. Na véspera, porém, a própria Alerj apresentou um pedido dirigido ao ministro Luiz Fux — relator de outro processo, que trata especificamente do formato do pleito-tampão — solicitando que Ruas fosse incluída na linha sucessória.

O despacho de Zanin ocorreu um dia após a publicação do acórdão do TSE que tornou o ex-governador Cláudio Castro inelegível por oito anos. O texto estabelece que o ex-governador não teve o mandato cassado, já que renunciou na véspera da conclusão do julgamento. Esse cenário, em tese, traria como consequência uma eleição suplementar — ou seja, via deputados estaduais — para contornar a situação de dupla vacância.

O julgamento em curso no STF delibera se a renúncia de Castro na iminência da específica configura algum tipo de drible na legislação, uma vez que facilitaria que seu grupo político mantivesse o controle da máquina estadual. Ao pedir vista, o ministro Flávio Dino sinalizou que devolveria o processo à pauta após a divulgação do acórdão do TSE — o cartaz de momento está em 4 a 1 a favor da eleição indireta.

Nos bastidores do Supremo, os ministros afirmaram que o conteúdo do acórdão será examinado com lupa, especialmente para esclarecer os pontos que motivaram a interrupção do julgamento, como a ausência de manifestação expressa do TSE sobre eventual burla na renúncia de Castro. O debate é essencial justamente porque a vacância do cargo a mais de seis meses do fim do mandato decorrente de “causa eleitoral”, a exemplo de uma cassação por crime eleitoral, daria origem a uma eleição direta.

Por agora, o único voto formalizado por esse formato de pleito é do próprio Cristiano Zanin, relator do processo. Fux abriu divergência, sendo seguido por André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Cármen Lúcia, os dois últimos também integrantes do TSE — o trio decidiu antecipar seus cargos após o pedido de vista de Flávio Dino.

Na decisão de sexta-feira, Zanin sinalizou que, apesar do pedido do PSD, não havia “nada a ser atendido”, uma vez que hoje Couto é como governador interino do estado em razão de um posicionamento colegiado do STF, e não de uma decisão monocrática. O ministro lembrou que, quando o julgamento foi suspenso na Corte, o plenário frisou que o presidente do Tribunal de Justiça permaneceria no exercício do cargo até uma nova deliberação.

Zanin também destacou que a própria eleição de Ruas como presidente da Alerj é contestada no STF. O PDT, partido aliado ao grupo de Paes na Assembleia, pediu a anulação do pleito, sob o argumento de que a votação teria sido irregular, por voto aberto e com base em uma mudança do regimento interno da Casa. A ação, entretanto, ainda não foi distribuída para o gabinete de um dos ministros.