Poder e Governo

Messias intensifica articulações no Senado e busca apoio antes de sabatina para o STF

AGU treina com auxiliares possíveis embates na sabatina marcada para quarta-feira

Agência O Globo - 26/04/2026
Messias intensifica articulações no Senado e busca apoio antes de sabatina para o STF
Jorge Messias - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Na reta final para a sabatina no Senado, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Messias, intensificou os músculos com parlamentares para garantir votos suficientes à sua aprovação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nos últimos dias, ele acelerou as conversas com membros da Casa e vem se preparando para responder, na sabatina marcada para quarta-feira, a temas delicados como o Banco Master, as relações entre Judiciário e Legislativo, anistia a envolvida em atos golpistas e aborto. Messias afirma já ter dialogado com 75 senadores, mas a ausência de um nome em especial preocupação: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Preparação estratégica

Auxiliares do ministro organizaram um roteiro com considerações sensíveis e vêm simulando possíveis debates com base em questionamentos já levantados por parlamentares em conversas reservadas. Para se dedicar integralmente à sabatina, Messias tirou férias da AGU até o fim do mês.

Segundo interlocutores, o treinamento não se limita ao conteúdo técnico das respostas, mas também abrange o tom e a forma de exposição. A preocupação é evitar declarações que possam ser interpretadas como confronto ao Congresso ou que incentivem críticas à atuação do STF. A orientação é adotar uma postura institucional, com menor carga de enfrentamento e foco em uma imagem conciliadora.

Discurso moderado e busca por apoios

Nas conversas mais recentes, realizadas presencialmente, por telefone ou via mensagens de WhatsApp, Messias incluiu senadores da oposição para testar argumentos que pretende usar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele defendeu uma postura menos intervencionista do STF em relação ao Congresso, respondendo a críticas sobre decisões judiciais que impactam prerrogativas do Legislativo. Evangélico, Messias também manifestou apoio às hipóteses de aborto já previstas na lei e afirmou que eventuais ampliações deverão ser debatidas pelo Legislativo, não pelo Judiciário.

Aliados avaliam que a estratégia de adotar um discurso moderado e buscar reduzir resistências para consolidar e ampliar o apoio necessário para a aprovação. Nos bastidores, o grupo de apoio calculou um potencial de até 60 votos completos, embora a proposta mais realista seja de 46 a 48 votos, incluindo parlamentares que evitaram se posicionar publicamente, mas sinalizaram votos favoráveis ​​em conversas reservadas.

Ausência de Alcolumbre preocupa aliados

Apesar do avanço nas articulações, a falta de um encontro com Davi Alcolumbre tornou-se motivo de preocupação para o entorno de Messias. Avalia-se que uma reunião com o presidente do Senado poderia ser decisiva para dar previsibilidade ao desfecho da votação e reduzir incertezas entre os indecisos.

A possibilidade de reunião esfriou após Messias participar de um jantar promovido pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP), adversário político de Alcolumbre no Amapá. O mesmo grupo de especificações, semanas antes, um encontro que reuniu 38 senadores e foi fundamental para destravar o envio da indicação à CCJ, consolidando uma base inicial de apoio ao advogado-geral da União.

Integrantes do governo chegaram a discutir uma agenda envolvendo o presidente Lula, Messias e Alcolumbre antes da sabatina, mas a ideia perdeu força diante da agenda apertando.