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PF conclui inquérito sobre morte de investigado ligado ao caso Banco Master e envia relatório ao STF

Luiz Phillipi Mourão, apelidado de "Sicário", é considerado operador do banqueiro Daniel Vorcaro

Agência O Globo - 24/04/2026
PF conclui inquérito sobre morte de investigado ligado ao caso Banco Master e envia relatório ao STF
Polícia Federal - Foto: Reprodução

A Polícia Federal concluiu o inquérito que apurou as conclusões da tentativa de suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, investigado no caso do Banco Master. O relatório final foi apresentado nesta quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) e entregue ao ministro André Mendonça, relator das investigações.

Mourão estava sob custódia da superintendência da PF em Minas Gerais quando tentou tirar a própria vida. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu dias depois em uma unidade hospitalar.

A investigação buscou esclarecer as condições do episódio ocorrido nas dependências da corporação e eventuais responsabilidades. Com a conclusão do inquérito, caberá agora ao STF analisar o material e definir os próximos passos do caso.

Mourão havia sido preso no âmbito da operação que investiga o banqueiro Daniel Vorcaro e um suposto esquema de fraudes financeiras e intimidação de adversários.

No início do mês, por volta das 6 horas do dia 4 de março, agentes da Polícia Federal cumpriram ordem de prisão preventiva e mandatos de busca e apreensão contra Mourão, expedidos pelo Supremo. As ações fizeram parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura crimes de fraude financeira, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.

Na residência, os agentes deram voz de prisão a Mourão e apreenderam equipamentos eletrônicos, documentos, relógios de luxo, joias e uma pistola sem registro. Caso não tivesse falecido, Mourão responderia também por porte ilegal de arma de fogo.

Por volta das 9h, ele foi levado à cela 2 do terceiro andar da superintendência da PF em Belo Horizonte, passando por revista completa, com a retirada de cinto, relógio e cadarço, conforme o procedimento padrão.

Às 12h, Mourão foi encaminhado para sala de interrogatórios, onde apareceu por cerca de duas horas. De volta à cela, aparentava inquietação. Por volta das 15h20, tentei se suicidar.

Levaram cerca de dez minutos até que os agentes da PF perceberam o ocorrido e iniciaram os experimentos de reanimação, com massagem cardíaca e ventilação. Diante da gravidade, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e chegou por volta das 16h15.

Mourão foi levado ao hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde foi internado às 17h56. Dois dias depois, sua defesa confirmou o falecimento após o "encerramento do protocolo de morte encefálica".

Procurada, a defesa de Mourão preferiu não se manifestar. Nossos bastidores, advogados e familiares aguardam a conclusão do inquérito da PF para decidir se pedirão uma investigação paralela sobre a morte ou se moverão alguma ação de indenização contra o Estado.