Poder e Governo

Messias promete STF menos intervencionista para conquistar votos no Senado

Indicado intensifica articulação com parlamentares e aposta em discurso de pacificação na reta final antes da sabatina; falta de encontro com Alcolumbre preocupa aliados

Agência O Globo - 23/04/2026
Messias promete STF menos intervencionista para conquistar votos no Senado
Jorge Messias - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Na reta final antes da sabatina marcada para quarta-feira (29) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o advogado-geral da União, Jorge Messias, tem defendido perante senadores uma atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) com menor intervenção sobre o Congresso. O movimento busca reduzir resistências à sua indicação e responder às críticas de parte dos parlamentares quanto ao que obtém avanço da Corte sobre prerrogativas do Legislativo.

Segundo relatos de interlocutores, Messias tem apresentado esse compromisso como eixo central de sua possível atuação no tribunal. Ele afirma que pretende atuar com previsibilidade, respeito às competências dos Poderes e menor protagonismo político. Também sinalizará que manterá o gabinete aberto ao diálogo com parlamentares.

De maneira informal, Messias tem se definido como aliados como um “Jorginho paz e amor”, expressão que circula entre senadores e sintetiza seu esforço em se apresentar como um nome conciliador e defensor da pacificação entre Judiciário e Legislativo.

A defesa de um ajuste na atuação do STF ocorre em um momento em que a Corte enfrenta pressão devido à relação de dois de seus ministros com o caso Master. Investigações da Polícia Federal identificaram ligações entre um fundo associado ao cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e uma empresa do ministro Dias Toffoli, além de um contrato do banco com o escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes. Ambos os ministros negam irregularidades nessas relações.

Adotar esse discurso é parte da estratégia de Messias para atrair parlamentares de centro e de direita que ainda estão indecisos ou já declararam voto contrário. O objetivo, segundo aliados, é não reverter posições públicas, mas testar a possibilidade de flexibilização diante do voto secreto. Pessoas próximas ao advogado-geral avaliaram que há senadores que evitam se comprometer, mas podem apoiá-lo, dependendo do grau de confiança no perfil do indicado.

Nesta semana, marcada pelo feriado de Tiradentes, Messias intensificou mensagens e ligações para manter a articulação, mesmo com o esvaziamento de Brasília. Poucos senadores acordados na capital, já que o Senado cancelou as sessões deliberativas no período.

Aliados também destacam a atuação de interlocutores com trânsito na oposição. O ministro do STF, André Mendonça, foi citado como fiador informal do nome de Messias entre senadores bolsonaristas.

Ruído com Alcolumbre

Apesar dos avanços nas conversas, a ausência de um encontro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), passou a ser vista como o principal ponto de tensão na reta final. A reunião é considerada decisiva para destravar resistências e sinalizar apoio político à indicação.

Nos bastidores, avalia-se que a interlocução esfriou após a participação de Messias em um jantar promovido pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP), adversário de Alcolumbre no estado. O episódio foi mal recebido pelo presidente do Senado e impactou a agenda entre ambos.

Aliados do governo chegaram a cogitar um jantar entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Messias e Alcolumbre antes da sabatina, como forma de aparar arestas. No entanto, a ideia perdeu força diante do calendário apertado, aumentando a pressão por um encontro direto nos próximos dias.

A seis dias da sabatina, o cenário é considerado aberto. Aliados projetaram uma aprovação entre 46 e 52 votos, mas confirmaram que o resultado depende da consolidação de apoios entre indecisos, especialmente em partidos como PSD, MDB e União Brasil, que concentram parte relevante das cadeiras no Senado. O PL, bancada maior da Casa, faz oposição à indicação.