Poder e Governo

Inelegível, Pablo Marçal se filia ao União Brasil, que mira candidatura a deputado federal ou senador

União Brasil aposta no influenciador como puxador de votos, mas candidatura depende de reversão de inelegibilidade de oito anos

Agência O Globo - 06/03/2026
Inelegível, Pablo Marçal se filia ao União Brasil, que mira candidatura a deputado federal ou senador
Pablo Marçal - Foto: Reprodução / Instagram

Pablo Marçal, influenciador digital, oficializou sua filiação ao União Brasil nesta sexta-feira (6), durante evento em São Paulo. Ao lado do presidente nacional do partido, Antonio Rueda, e do presidente do PP, Ciro Nogueira, Marçal afirmou: "Só não vou dar certo no partido se esses dois não quiserem".

— Este ano será marcado pela entrada de pessoas que não dependem da política e não precisam dela. Quero deixar claro: este é meu último partido. Se esses dois disserem 'você vai ser gandula', eu serei gandula. Vou ajudar a eleger o maior time — declarou Marçal durante o evento.

Campanha de 2024

O União Brasil pretende lançar Marçal como candidato a deputado federal ou senador, apostando em seu potencial como puxador de votos em São Paulo. No entanto, sua candidatura depende da reversão de uma inelegibilidade de oito anos.

Em dezembro, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) manteve a condenação de Marçal por uso indevido dos meios de comunicação nas eleições de 2024.

A condenação está relacionada à realização de um “concurso de cortes”, no qual colaboradores eram incentivados a produzir vídeos para as redes sociais da campanha, com promessa de remuneração e distribuição de brindes. Em outro processo, foi constatado que a maquiadora da esposa de Marçal financiou anúncios no Google que direcionavam usuários ao site oficial do candidato.

Na mesma ocasião, o TRE-SP confirmou uma multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial durante o período eleitoral. Marçal recorreu e aguarda julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Laudo falso contra Boulos

Outra ação em tramitação no tribunal eleitoral envolve a divulgação de um laudo falso contra o então candidato Guilherme Boulos (PSOL).

Na véspera do primeiro turno de 2024, Marçal publicou um documento falso de internação por uso de drogas, cuja falsidade foi atestada pelas Polícias Federal e Civil. Poucas horas após a publicação, a Justiça Eleitoral determinou a remoção do conteúdo das redes sociais. Marçal terminou a disputa em terceiro lugar, enquanto Boulos avançou ao segundo turno contra Ricardo Nunes (MDB).

Para suspender o andamento da ação por dois anos, Marçal firmou acordo com a Promotoria Eleitoral do Ministério Público, comprometendo-se a comparecer à Justiça a cada três meses, não sair de sua cidade sem autorização prévia e evitar bares, boates e casas de prostituição. No âmbito cível, o caso do laudo falso foi julgado no mês passado.

Marçal ainda responde a outras ações que podem resultar em novas condenações eleitorais e declarações de inelegibilidade. Uma delas refere-se à promessa de apoio a candidatos a vereador que doassem R$ 5 mil para sua campanha. Nesse caso, ele foi condenado em primeira instância, mas obteve vitória no TRE-SP, que entendeu que, embora a conduta tenha sido ilícita, não há provas de impacto no resultado do pleito. A coligação de Boulos recorreu ao TSE, e o julgamento está pendente.

Outro processo diz respeito a sorteios de bonés e dinheiro em troca de divulgação da candidatura. Marçal foi condenado em primeira instância em julho de 2025, e o TRE-SP ainda não julgou o caso.