Poder e Governo
Moraes critica mensagens apagadas por Débora do Batom em voto por condenação: 'Desprezo pelo Poder Judiciário'
Declaração foi relembrada por perfis bolsonaristas após a informação de que o magistrado teria se comunicado por recado de visualização única com Daniel Vorcaro na data da prisão no ano passado
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou o fato de Débora dos Santos, conhecido como Débora do Batom, ter apagado mensagens do WhatsApp relacionadas à sua participação nos atos de 8 de janeiro de 2023. Moraes foi relator da ação que condenou Débora, em março do ano passado, a 14 anos de prisão por envolvimento nos atos golpistas e pela pichação da estátua da “Justiça”, localizada em frente à sede da Corte.
"Reforça a conclusão referida, a demonstração desprezo para com as instituições republicanas, consoante já ressaltado, o fato de que a ré apagou e ocultou provas de sua intensa participação nos atos golpistas do dia 01/08/2023, que ocasionaram os danos relatados, tenha vista a conclusão apresentada pela Polícia Federal, em Informação de Polícia Judiciária, relacionada ao celular de sua propriedade", escreveu Moraes na decisão.
O ministro destacou o trecho do relatório da Polícia Federal que apontava a existência, no aparelho de Débora, de diversas conversas com "interrupção nos diálogos no período entre dezembro de 2022 e a primeira quinzena de fevereiro de 2023". “Isto pode ser uma traição de que Débora dos Santos tenha apagado do seu telefone os dados relevantes referentes ao período das manifestações antidemocráticas e atos antidemocráticos”, concluiu o relatório.
A crítica de Moraes foi divulgada por perfis de lideranças bolsonaristas após a revelação de que o ministro teria trocado mensagens com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na data em que foi preso no ano passado. Na ocasião, Vorcaro questionou Moraes se havia “alguma novidade” e perguntou: “Conseguiu ter notícia ou desbloquear?”. O ministro respondeu por meio de três mensagens de visualização única, recurso que apagou as mensagens assim que são lidas pelo destinatário.
"Eis a opinião de Alexandre de Moraes sobre quem desligou mensagens de WhatsApp no celular no caso de Débora do Batom: 'desprezo com o Poder Judiciário e a ordem pública'. E como fica quem manda mensagem de visualização única para responder se 'bloqueou' algo ou não a um criminoso?" , questionou o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS).
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