Poder e Governo

Penitenciária de Potim ganha notoriedade e supera Tremembé como 'presídio dos famosos'

Relatório aponta presença de ratos, escorpiões e alimentos com larvas e unhas na unidade de Potim, segundo a Defensoria Pública

Agência O Globo - 05/03/2026
Penitenciária de Potim ganha notoriedade e supera Tremembé como 'presídio dos famosos'
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Penitenciária II de Potim, localizada no interior de São Paulo, ganhou destaque nacional ao receber, nesta quarta-feira, o banqueiro Daniel Vorcaro, tornando-se o novo "presídio dos famosos". A unidade já abriga outros detentos notórios transferidos de Tremembé, tradicionalmente conhecida por custodiar condenados de grande repercussão.

No ano passado, o governo de São Paulo iniciou um processo de descentralização dos presos famosos de Tremembé, transferindo-os para outros estabelecimentos. Entre os que permaneceram em Tremembé estão o ex-jogador Robinho e o empresário Thiago Brennand. Suzane von Richthofen também cumpriu pena no local.

Desde janeiro, a Penitenciária II de Potim passou a receber parte desses detentos, como o ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 104 anos por estupro de pacientes, além do empresário Salim Nahas. Agora, Daniel Vorcaro e seu cunhado também estão entre os internos da unidade.

Vorcaro e o cunhado foram presos na quarta-feira (4), por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Após serem detidos na sede da Polícia Federal na Lapa, Zona Oeste da capital paulista, foram transferidos inicialmente para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos e, na manhã desta quinta-feira, encaminhados à penitenciária de Potim.

Relatório aponta más condições de higiene e alimentação

Um relatório da Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPE-SP), divulgado em agosto de 2023, revelou problemas graves na Penitenciária II de Potim. Entre as principais irregularidades estavam a superlotação, ausência de colchões e camas suficientes, celas sem ventilação adequada e a presença de "ratos, baratas e escorpiões" nas dependências.

O documento também destacou que o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) estava vencido há um ano no momento da inspeção. Segundo os defensores, a principal queixa dos presos era a qualidade da água para consumo, descrita como "quente e suja". "Em todas as torneiras, a água sai quente. Os presos precisam esperar esfriar para beber. Apesar da direção afirmar que a água é tratada, os detentos consideram imprópria para o consumo. Em um dos recipientes apresentados, foi possível constatar sujeiras, o que levanta dúvidas sobre a potabilidade da água fornecida", detalha o relatório.

A alimentação também foi alvo de críticas, com relatos de alimentos mal preparados e fora dos padrões mínimos de higiene. "Presos disseram receber, por vezes, alimentos crus, salada sem esterilização adequada, com larvas, pedras e até pedaços de unhas", aponta o documento.

A reportagem procurou a Secretaria de Administração Penitenciária para comentar as condições do presídio, mas até o momento não houve resposta.