Poder e Governo
Presídio para onde Vorcaro e Zettel foram transferidos abriga detentos notórios e enfrenta denúncias de má higiene
Unidade de Potim reúne presos famosos como Abdelmassih e motorista de Porsche; relatório da Defensoria aponta presença de ratos, escorpiões e alimentação com larvas e pedaços de unhas
A Penitenciária II de Potim, localizada no interior de São Paulo, tornou-se destino de detenções de grande notoriedade.
A unidade está situada a cerca de 40 quilômetros da Penitenciária de Tremembé, conhecida como “presídio dos famosos”. Desde janeiro, Potim passou a receber presos notórios transferidos de Tremembé, como o ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 104 anos de prisão por estupro de pacientes. O empresário também cobre pena na unidade.
O banqueiro e seu cunhado foram detidos na quarta-feira (4), por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Após passarem pela sede da Polícia Federal na Lapa, Zona Oeste da capital, o ministro determinou a transferência de dois para o sistema penitenciário federal. Inicialmente, foram lançados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos e, na manhã desta quinta-feira, transferidos para Potim.
Denúncias de más condições: comida com larvas e água imprópria
Relatório da Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPE-SP), elaborado em agosto de 2023, apontou sérios problemas de higiene, alimentação e abastecimento de água na Penitenciária II de Potim, além de superlotação. Na data da inspeção, o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) foi vencido há um ano, faltou colchões e camas para todos os detentos, pois celas não contavam com ventilação adequada e foram identificadas presenças de “ratos, baratos e escorpiões” nas dependências do presídio.
Segundo o relatório, a principal queixa dos presos — tanto do regime fechado quanto do semiaberto — era a qualidade da água, descrita como “quente e suja”. "Foi constatado que em todas as torneiras a água sai quente. Os presos separam a água e aguardam que ela esfrie para consumo. Apesar da direção afirmar que a água é tratada e própria para o consumo, foi unânime entre os internos que a água seria imprópria. Em um dos recipientes selecionados, constatou-se a presença de sujeira, levantando dúvidas sobre a potabilidade da água transportada", detalharam os defensores.
A alimentação também foi alvo de críticas, com relatos de que os alimentos estariam “mal preparados” e não atenderiam a padrões mínimos de higiene. “Disseram que, por vezes, recebem alimentos crus, saladas sem esterilização adequada e com larvas, pedras e até pedaços de unhas”, acrescenta o documento.
A Tribuna do Sertão procurou contato com a Secretaria de Administração Penitenciária para obter um posicionamento sobre as denúncias, mas até o momento não houve resposta.
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