Poder e Governo

Apurações revelam que servidor do Banco Central já recebia vantagens indevidas de Vorcaro enquanto diretor

Funcionários já haviam deixado os cargos por decisão do Banco Central no âmbito da investigação interna sobre o caso Master

Agência O Globo - 05/03/2026
Apurações revelam que servidor do Banco Central já recebia vantagens indevidas de Vorcaro enquanto diretor
Paulo Souza - Foto: Reprodução / internet

As investigações sobre o caso Master apontam que o ex-diretor do Banco Central (BC), Paulo Souza, já recebeu “vantagens indevidas” de Daniel Vorcaro durante o período em que liderou a Diretoria de Fiscalização do órgão. Souza ocupou a carga entre setembro de 2017 e julho de 2023. Os identificados foram identificados em apuração interna da autoridade monetária e encaminhados à Polícia Federal, conforme informado o BC nesta quarta-feira.

Essas informações foram desenvolvidas para fundamentar a terceira fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Paulo Souza e outro servidor do BC, Belline Santana, foram afastados após a Polícia Federal suspeitar de que ambos atuavam como “consultores informais” de Vorcaro, revisando documentos destinados ao regulador e alertando-o sobre investigações internas. Procurado, Souza não respondeu aos contatos.

Ambos já deixaram suas acusações por decisão do BC durante uma investigação interna sobre o caso Master, revelada pelo jornal O Globo em janeiro. Na ocasião, Belline era chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e Souza, chefe-adjunto, responsável pelo monitoramento do Master.

A decisão do ministro Mendonça não especifica o período exato em que Souza e Santana atuariam em favor de Vorcaro. Entretanto, um dos trechos menciona uma troca de mensagens em que o banqueiro parabeniza Souza pela nomeação como chefe-adjunto do Desup, demonstrando que a relação entre eles era anterior à nomeação.

A investigação interna do BC sobre o caso Master começou após a liquidação do banco, ocorrida em novembro de 2025. O objetivo era avaliar os procedimentos adotados na fiscalização e na liquidação da instituição financeira.

A purificação abrange todo o período de influência do Vorcaro na instituição, iniciado em 2017, quando ele manifestou interesse em assumir o então Banco Máxima, embora a mudança de controle só tenha ocorrido em 2019. Nesse processo, foram identificadas fortes suspeitas de preocupações indevidas relacionadas a Souza e Belline, cujas informações foram encaminhadas à Polícia Federal.

Como os afirmados remontam ao período em que Souza integrou a diretoria, o próximo passo do BC deverá ser encaminhar os processos da investigação interna à Corregedoria-Geral da União (CGU), órgão responsável por tratar de casos relacionados à cúpula do BC.

Com os planos traçados pela Polícia Federal, a tendência é que seja instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), cujo planejamento pode resultar na missão definitiva dos servidores, entre outras avaliações.