Poder e Governo

Quebra de sigilo revela movimentação de R$ 19,5 milhões por Lulinha em quatro anos

Transferências incluem R$ 721 mil recebidos do presidente Lula entre 2022 e 2026

Agência O Globo - 05/03/2026
Quebra de sigilo revela movimentação de R$ 19,5 milhões por Lulinha em quatro anos
- Foto: Reprodução

O empresário Fábio Luís Lula da Silva , filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, movimentou R$ 19,5 milhões em quatro anos, segundos dados de quebra de sigilo aprovados pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS. Os valores repassados ​​a subsídios e créditos em uma conta no Banco do Brasil, entre 3 de janeiro de 2022 e 30 de janeiro deste ano. Nesse período, foram registrados R$ 9.774 milhões em créditos (entradas) e R$ 9.758 milhões em subsídios (saídas).

O sigilo fiscal e bancário de Fábio Luís foi quebrado após aprovação da CPI do INSS. Antes disso, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), já havia autorizado a Polícia Federal a investigar os dados financeiros de Lulinha, suspeito de envolvimento comercial com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso sob suspeita de desvio de recursos de investidores e pensionistas.

A defesa de Lulinha negou qualquer irregularidade e recorreu ao STF para tentar suspender a quebra de sigilo bancário aprovada pela CPI. A transferência financeira foi revelada pelo portal Metrópoles e confirmada pelo jornal O Globo.

de Lula

Entre os registros analisados ​​pela CPI, constam três transferências feitas por Lula ao filho, totalizando R$ 721,3 mil. A maior parcela, de R$ 384 mil, ocorreu em 22 de julho de 2022, período em que Lula se preparava para a campanha presidencial. As outras duas transferências foram realizadas em 27 de dezembro de 2023, ao final do primeiro ano do mandato atual.

A maior parte das movimentações financeiras de Lulinha refere-se a rendimentos de investimentos e transações entre suas próprias empresas: LLF Tech Participações e G4 Entretenimento e Tecnologia, ambas sediadas em São Paulo e com capital social de R$ 100 mil cada.

Com a LLF Tech, Lulinha movimentou R$ 2,3 milhões entre créditos e débitos; já com o G4, R$ 772 mil. As empresas têm como atividades registradas manutenção e serviços de tecnologia da informação, marketing, agenciamento de serviços e negócios, consultoria em gestão empresarial e treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial.

Pagamentos a ex-sócios

Lulinha também fez pagamentos efetuosos a seus dois ex-sócios na extinta Gamecorp: Kalil Bittar recebeu R$ 750 mil e Jonas Suassuna Filho, R$ 704 mil.

Jonas Suassuna era um dos proprietários do sítio de Atibaia, imóvel que levou às denúncias do presidente Lula na Operação Lava Jato, em fevereiro de 2019, sob uma acusação de cobrança de propina por meio de reformas na propriedade. Posteriormente, a sentença foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal.