Poder e Governo

Vorcaro chama Bolsonaro de 'beócio' e 'idiota' e critica postagem sobre o banco Master

Em mensagens obtidas pela PF, ex-banqueiro relata que aliados, como Ciro Nogueira, tentaram intervir após publicação do ex-presidente

Agência O Globo - 05/03/2026
Vorcaro chama Bolsonaro de 'beócio' e 'idiota' e critica postagem sobre o banco Master
- Foto: Reprodução

Mensagens enviadas no celular de Daniel Vorcaro, obtidas pela Polícia Federal (PF), revelam que o dono do banco Master chamou Jair Bolsonaro de "beócio" e "idiota" ao reclamar de uma postagem feita pelo ex-presidente sobre suspeitas de fraude na instituição financeira.

O O Globo teve acesso a trocas de mensagens entre a ex-banqueiro e sua então namorada, Martha Graeff. Em julho de 2024, Vorcaro relata a Martha ter recebido mais de mil mensagens no Instagram após Bolsonaro compartilhar uma reportagem do O Globo sobre gerentes da Caixa Asset que barraram um negócio arriscado de R$ 500 milhões com o Master e acabaram demitidos.

"Os senhores não leram errado. Impediram de acontecer e foram DEMITIDOS. Não é mais questão de todo dia, mas sim a cada hora. Por isso o sistema está ágil com tanto afinco em suas ações", escreveu Bolsonaro à época.

Na conversa, Vorcaro critica a atitude do ex-presidente e sugere que Bolsonaro teria feito uma postagem para atacar o PT. “O pior de ontem foi ter o Bolsonaro postado”, escreveu. Martha pergunta: "Postou aonde?" Vorcaro responde: "No tweeter dele (sic). Idiota". Ela reage: "Uau, não acredito".

Em seguida, Vorcaro afirma que “todos os amigos”, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro do governo Bolsonaro, planejaram contato com o ex-presidente para remediar a situação. "Mas não tinha como tirar. Cara é um beócio. Alguém falou que era coisa do PT [e] ele postou", diz Vorcaro.

O termo "beócio" designava originalmente habitantes da Beócia, região da Grécia Antiga, considerados iletrados pelos vizinhos. Com o tempo, o gentílico passou a ser usado de forma pejorativa para indicar alguém ignorante ou sem conhecimento específico.

O ex-banqueiro voltou a ser preso nesta quarta-feira, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Os desdobramentos do caso apontam para um amplo esquema de fraude. As investigações apuraram suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

Na primeira fase da operação, deflagrada em 18 de novembro do ano passado, Vorcaro foi preso e solto 11 dias depois, mediante uso de tornozeleira eletrônica. Agora, a terceira etapa aprofundou as conexões do ex-banqueiro, com buscas e apreensões entre familiares e empresários. A PF também localizou ameaças e menções a autoridades da República no celular de Vorcaro.