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Morre em BH o 'Sicário', preso em operação que investigava grupo ligado a Vorcaro; PF indica suicídio

Segundo a Polícia Federal, policiais tentaram reanimá-lo e o encaminharam ao hospital, mas ele não resistiu

Agência O Globo - 04/03/2026
Morre em BH o 'Sicário', preso em operação que investigava grupo ligado a Vorcaro; PF indica suicídio
- Foto: Reprodução

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado pela Polícia Federal como responsável por monitorar e planejar ataques contra adversários do banqueiro Daniel Vorcaro, morreu nesta quarta-feira (12) após ser preso em Belo Horizonte. De acordo com informações da TV Globo, Mourão atentou contra a própria vida na carceragem da Superintendência da PF na capital mineira e foi levado a um hospital, mas não resistiu.

Mourão era um dos alvos da Operação Compliance Zero, que investiga a atuação de um grupo ligado ao Banco Master, de propriedade de Vorcaro. A Polícia Federal informou que comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e que entregará todos os registros em vídeo que mostram a dinâmica do episódio.

A defesa de Mourão informou que aguarda o boletim médico do hospital antes de se manifestar oficialmente. Mais cedo, segundo os advogados, ele exerceu o direito de permanecer em silêncio durante depoimento à PF e participaria de audiência de custódia nesta quarta-feira.

De acordo com as investigações, Mourão comandava uma estrutura informal chamada “A Turma”, utilizada para vigilância, obtenção de informações e monitoramento de pessoas ligadas às investigações ou críticas ao grupo. Os investigadores apontam que ele recebia R$ 1 milhão por mês por esses “serviços ilícitos”. A defesa afirmou que só se pronunciará sobre a prisão após ter acesso aos autos do inquérito.

Segundo a PF, Mourão acessava sistemas restritos de órgãos públicos usando credenciais de terceiros para consultar bases de dados de instituições de segurança e investigação, incluindo sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até bases internacionais.

Na decisão que determinou as prisões de Mourão, Vorcaro e outros investigados, o ministro André Mendonça, do STF, destacou indícios de que Vorcaro, em troca de mensagens com Mourão, teria determinado a simulação de um assalto para “prejudicar violentamente” o colunista do jornal O GLOBO, Lauro Jardim, com o objetivo de “calar a voz da imprensa”. O jornal O GLOBO repudiou publicamente as iniciativas criminosas contra seu jornalista.

Mourão já era réu desde 2021 em ação do Ministério Público de Minas Gerais por suspeita de lavagem de dinheiro, organização criminosa e crime contra a economia popular. Segundo as investigações, ele e outros indiciados teriam montado um esquema de pirâmide financeira que movimentou R$ 28 milhões entre 2018 e 2021.

Antes de integrar o suposto esquema de pirâmide, Mourão atuava como agiota. No fim de 2023, a inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais analisou o celular apreendido do acusado e apontou sua liderança na organização criminosa investigada.

No processo, a defesa de Mourão sustenta que as provas obtidas pelas autoridades carecem de autorização judicial, entre outras nulidades. “Os autos ainda revelam indícios de que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) tenha diligenciado perante instituições financeiras para obter informações dos réus, sem decisão para a quebra de sigilo bancário. Essas movimentações investigativas não eram do conhecimento da autoridade policial, tampouco houve requerimento dirigido ao juízo nesse sentido”, argumenta a defesa.