Poder e Governo

Planalto reage e tenta associar caso Master a Bolsonaro

Governo foi informado por parlamentares de CPIs sobre tentativa da oposição de ligar escândalo à gestão petista

Agência O Globo - 04/03/2026
Planalto reage e tenta associar caso Master a Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O Palácio do Planalto decidiu adotar uma postura ofensiva e buscar a vinculação do caso Master ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. O movimento ocorre após parlamentares da base aliada alertarem o governo de que a oposição pretendia associar o banqueiro Daniel Vorcaro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Reuniões com deputados das CPIs do Crime Organizado e do INSS, realizadas no início da semana, informaram ao governo sobre a estratégia da oposição de relacionar o escândalo do Master à atual gestão.

Após os alertas, integrantes do governo passaram a usar as revelações do caso como instrumento de ataque à oposição. Na terça-feira, após a colunista Malu Gaspar divulgar que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou o avião de Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, se manifestou nas redes sociais. “Foram dez dias voando pelo país nas asas do Master, junto com pastores da Igreja Lagoinha, a mesma do pastor Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Vorcaro, que foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio (de Freitas)”, escreveu.

Nesta quarta-feira, após a nova prisão de Vorcaro e a revelação de que funcionários do Banco Central teriam recebido propina do banqueiro para encobrir irregularidades do Master, Gleisi associou os dois servidores à gestão de Roberto Campos Neto, ex-presidente da instituição indicado por Bolsonaro.

“A operação de hoje da Polícia Federal expõe definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master. O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por Campos Neto, Belini Santana, recebiam dinheiro de Daniel Vorcaro para impedir a fiscalização do Master, de acordo com a investigação. Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”, publicou a ministra.

Parlamentares da base governista avaliam que o governo não deve adotar postura defensiva no caso e precisa enfatizar os vínculos do Master com políticos ligados ao bolsonarismo. Dentro dessa estratégia, os voos de Nikolas Ferreira no avião do banqueiro devem ser amplamente explorados.