Poder e Governo
Condenado por corrupção, 'Japonês da Federal' assume cargo comissionado na prefeitura de Cuiabá
Prefeito Abílio Brunini defende nomeação de Newton Ishii, destacando disciplina e experiência do ex-agente da PF
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), nomeou o ex-agente da Polícia Federal (PF) Newton Hidenori Ishii, conhecido nacionalmente como “Japonês da Federal” por sua atuação na escolta de presos durante a Operação Lava-Jato, para um cargo comissionado na administração municipal. Ishii possui histórico judicial: foi condenado em 2016 pelo crime de facilitação de contrabando e, dois anos depois, obteve aposentadoria especial voluntária.
A nomeação de Newton Ishii para o cargo comissionado de Gestão, Direção e Assessoramento de Secretário Adjunto de Governo entrou em vigor nesta segunda-feira. Segundo a gestão de Brunini, o ex-agente "tem trajetória marcada pela atuação no serviço público federal, com reconhecimento pela disciplina, postura técnica e experiência em funções estratégicas".
De acordo com a prefeitura, o “Japonês da Federal” terá como atribuições "auxiliar na articulação institucional, por meio de compliance, fortalecendo o diálogo entre as pastas e garantindo maior eficiência administrativa".
“Newton é uma figura conhecida, experiente e inteligente. Fiz o convite para que ele atue na prefeitura pelo período em que estiver em Cuiabá, e ele aceitou. Agora ele vai fortalecer nossa gestão, com capacitação de colaboradores para o cumprimento de normas e regras na gestão pública”, afirmou o prefeito, em nota oficial.
Histórico conturbado
Newton Ishii ingressou na Polícia Federal em 1976. Em 2009, foi condenado por facilitar a entrada de contrabando no país, sendo preso em junho de 2016 durante a Operação Sucuri, que investigou o envolvimento de agentes na entrada ilegal de mercadorias pela fronteira. A defesa do ex-agente recorreu da condenação, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o recurso em 2016.
Após quatro meses preso, Newton teve a pena reduzida e pôde retirar a tornozeleira eletrônica. Cumpriu parte da pena em regime semiaberto harmonizado, atuando internamente e realizando escoltas mesmo sob monitoramento eletrônico.
Em fevereiro de 2016, antes da prisão, Newton cogitou ingressar na vida pública e chegou a visitar a Câmara dos Deputados, onde foi recebido por parlamentares como Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro. No entanto, os planos de carreira política foram interrompidos após a repercussão negativa de sua prisão, quatro meses depois da visita à capital federal.
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